27 dezembro 2010

Oportunidade histórica

por JOÃO CÉSAR DAS NEVES
in DN 27-10-2010

Os homens crescem mais nas tormentas que na bonança. Por isso vivemos hoje uma ímpar oportunidade histórica: podemos finalmente dar o salto que falta para nos confirmar no ritmo do futuro.

Depois de ser líder cultural no Renascimento, lançando e conduzindo a gesta da globalização marítima, o pequeno Portugal deu-se mal na época civilizacional seguinte. Não foi por os ideais iluministas terem chegado tarde ou demorado a estabelecer-se. A penetração começou em meados de setecentos com o marquês de Pombal e, após dura guerra civil, estavam definitiva e triunfantemente implantados a partir de 1834. A maioria dos países europeus sofreu um reaccionarismo mais longo, demorando a adquirir estavelmente um regime aberto.

Ao contrário do que se diz, o problema nunca esteve no atraso da modernização. Aliás, o País antecipou várias ideias que a Europa viria a aplicar, como a abolição da pena de morte ou a criação do banco central. O mal sempre foi a qualidade dos nossos modernistas. A podridão do Liberalismo e a canalhice da República mostram bem o fiasco da variante lusitana de progresso. O mais irónico é que os nossos intelectuais costumam desprezar o povo e a cultura nacional, quando o único grande defeito do País está na mediocridade das elites.

A inversão desse fiasco deu-se porque comparativamente os fascistas portugueses foram melhores que as alternativas. Ao contrário dos outros regimes autoritários europeus (e das tentativas democráticas nacionais), o resultado do salazarismo foi um país seguro, estável e progressivo. Assim, a revolução de 1974 pode trazer a grande oportunidade para Portugal, finalmente, conseguir um regime aberto, pacífico, dinâmico.

E correu muito bem! O nosso país ocupou enfim uma posição digna e respeitável junto das nações avançadas. Mas, após vinte anos de sucesso, surgiu há quinze a terrível tentação da facilidade. A Europa afinal não era um desafio, uma concorrência, mas um hipermercado que fornecia fartura em doze suaves prestações mensais. A sociedade pensou que a prosperidade estava em promoção. Promessas, direitos adquiridos, justas reivindicações, garantias, exigências e obras públicas faziam o País acreditar que o bem-estar era rápido e barato. A dívida crescente foi o truque que suportou a ilusão.
Hoje somos um país europeu, livre e desenvolvido, que enfrenta o último desafio, dominar a tentação oportunista. Se aprendermos que o sucesso nunca está adquirido e exige sempre esforço, seriedade e criatividade, ultrapassaremos o obstáculo e chegaremos ao grupo de países na frente do progresso. Nas últimas décadas aprendemos tanto e conquistámos posições. Falta apenas dominar a última falácia para chegar ao destino. Vencendo a ilusão, atingiremos enfim a condição de país próspero. Os próximos anos determinarão se conseguimos ou não.

O obstáculo não são só os suspeitos do costume, corrupção dos políticos, defeitos da administração, educação, justiça e cultura. O obstáculo está também nos que bramam contra os suspeitos do costume. O inimigo que temos de vencer são as raivas, os insultos, as lamúrias, os resmungos e as imprecações ociosas. É preciso deixar-nos de tretas, apertar o cinto, trabalhar mais e melhor. Cada um no seu sítio tem de procurar a solução para a migalha da crise que lhe compete, sem desculpas, zangas ou teorias. Simplesmente subir ao nível europeu a pulso, carregando às costas a mochila dos disparates recentes. No cimo do penhasco está a modernidade. A distância já não é longa.

Temos a democracia e a economia. Precisamos apenas de realismo, serenidade, imaginação. Há que vencer as fraudes e boçalidade dos dirigentes, mas também os extremismos e insultos dos que desconfiam dos dirigentes. Tal como a mentira da facilidade que levou à crise foi a mesma que apodreceu o império em meados do século XVI, também o inimigo actual é a mesma tolice intelectual que paralisou o liberalismo de oitocentos. A nossa geração tem à vista a realidade de um novo Portugal, moderado, inteligente, capaz. Esse pode vencer a crise.

22 dezembro 2010

Num iPad só se consegue postar texto.... Grande senão!!!! E é no edit html

16 dezembro 2010

Fish With Transparent Head Filmed (Pixis Transparentis?!)



SE ME CONTASSEM EU NÃO ACREDITAVA!!!

Será?



O caso remonta a 2007. Na altura, um norte-americano de 42 anos, residente em Berlim e infectado pelo VIH, tinha desenvolvido uma leucemia aguda. A quimioterapia falhou e seguiu-se um transplante de medula óssea. Após a intervenção, as análises revelaram que o vírus responsável pela sida tinha desaparecido do seu corpo. Quatro anos depois, a equipa de investigadores alemães confirma que o transplante conseguiu erradicar o VIH do doente e deu-o como curado.

in Público
16.12.2010 - 11:55 Por Romana Borja-Santos

10 dezembro 2010

Natal no Iraque

Aura Miguel RR on-line 10-12-2010 07:33

Imagine-se, de hoje a 15 dias, sem poder sair de casa para ir à Igreja celebrar o Natal. E que, mesmo dentro casa, reunido com a sua família e amigos, poderá perder a vida… só pelo simples facto de ser cristão.

Pois é disso mesmo que, neste momento, têm medo os católicos iraquianos.

Hisham tem 29 anos e já recebeu duas ameaças de morte, por se recusar a abandonar o país. Wasim, com 67 anos, sente-se isolado e pensa seriamente em emigrar para a Síria, com medo que raptem a sua filha, jovem universitária. Shimoun, com 25 anos, continua a ter pesadelos desde o ataque sangrento à catedral e tenta resistir às pressões da família para emigrar para a Jordânia. Senah, com 69 anos, vive em Bagdad e é uma professora reformada.

Testemunha que a sua vida se resume a duas palavras: medo e esperança. Medo, por causa da Al-Qaeda e das suas milícias, que há muito definiram os cristãos como alvo a abater, e esperança pelo amor que tem à terra onde nasceu e pelo pedido que, nestes dias, fez chegar até nós.

“Este Natal será uma grande provação para os cristãos que aqui ficaram”, disse ela. “Peço aos nossos irmãos no estrangeiro que não se esqueçam de nós. Precisamos muito de sentir a vossa companhia”.

06 dezembro 2010

O Tema da nossa Geração.

DN2010-12-06
JOÃO CÉSAR DAS NEVES


O Papa anda de novo nas notícias. Foi insultado em Barcelona e falou do preservativo num livro (Luz do Mundo, Lucerna 2010). Parece que a sociedade não entende mesmo a Igreja. Olha que novidade! Nunca entendeu. Podemos até caracterizar cada geração pelos motivos da sua crítica anticatólica.

O tema hoje é... sexo. O que traz à discussão elementos curiosos e efeitos profundos. O debate do preservativo mostra-o bem. Imagine um jornalista perguntar ao médico: "Devo fumar cigarros com filtro?" A resposta natural é que não deve fumar. Então o jornal publica a manchete: "Medicina é contra o filtro." O mal é o tabaco, mas os médicos também acham que uma vida saudável não precisa de filtros para respirar. Então um jornalista mais insistente consegue que o médico diga: "Se faz o erro enorme de fumar, então use filtro", e o jornal publica a novidade: "Medicina muda de posição sobre o filtro." Foi uma tolice deste calibre que se verificou agora.

O Papa não mudou de posição. A Igreja é contra o adultério, prostituição, promiscuidade e fornicação. Ensina que o sexo, uma das coisas mais maravilhosas que Deus fez, só deve ser vivido numa relação estável e fecunda no seio do matrimónio, sem barreiras artificiais contraceptivas. "Usar deste dom divino, destruindo o seu significado e a sua finalidade, ainda que só parcialmente, é estar em contradição com a natureza do homem" (Encíclica Humanae Vitae, 1968, n.º 13). Foi neste âmbito, dentro dos casais católicos, que a questão do preservativo foi controversa há anos, quando Paulo VI reafirmou a doutrina de sempre.

É evidente que nos outros casos a questão fica radicalmente diferente. No pecado gravíssimo do sexo fora do matrimónio, o preservativo torna-se um detalhe. Quem despreza o sexto mandamento, cometendo adultério ou recorrendo à prostituição, não tem escrúpulo de violar essa outra regra menor. A Igreja opõe-se às campanhas de promoção do preservativo, não por repúdio fanático do instrumento, mas porque esse meio, pretendendo proteger a saúde, promove a promiscuidade e aumenta o risco de sida.

A sociedade hoje anda viciada em libido, como de tabaco há anos. Castidade, pureza, fidelidade são incompreensíveis. Isso passa e voltaremos ao normal. Sabemos bem como delírios colectivos, a que assistimos tantas vezes e parecem imparáveis, se esfumam depois. O problema destas fúrias culturais está nos estragos que deixam.

A França de setecentos e a Rússia de novecentos quase se destruíram na embriaguez da revolução. Agora a cultura preservativa ameaça as sociedades que inquinou. Queda drástica de fertilidade e casamento, envelhecimento da população, degradação da família estiolam o crescimento, dinamismo social, vitalidade cultural. Pior que os tumultos antigos, o vício hedonista deteriora o tecido humano por definhamento. Entretanto o vício ataca a Igreja com disparates daquele calibre por ignorar o sentido da doutrina.

Os papas são incompreendidos e insultados há dois mil anos. Nos primeiros séculos todos morreram mártires. Depois houve papas raptados, enxovalhados, presos, assassinados. Há cem anos era normal a maçonaria gritar e atirar projécteis às janelas do palácio pontifício. O antecessor do actual bispo de Roma foi alvejado com quatro balas.

Sempre se atacou a Igreja. Os motivos é que variaram. Os antigos romanos perseguiam por razões religiosas, como depois os protestantes. Os bárbaros pretendiam credibilidade política, como Napoleão ao prender Pio VII. Os iluministas e maçons tinham um modelo social, como os soviéticos e maoistas. Criticou-se o Papado por defender os indígenas, condenar o absolutismo, ter riquezas, ser pobre, criticar as Cruzadas, promover as Cruzadas, controlar a Inquisição, instituir a Inquisição, etc. Tudo serviu para insultar papas.

Nesta vastíssima variedade de dois milénios, o nosso tempo conseguiu a proeza de ainda ser original. A razão dos insultos de Barcelona, como de Londres, foi homossexualidade e preservativo. Esse é o tema que na História marcará a nossa geração.

naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

30 novembro 2010



...e assim meus amigos, é como se dança o Tango...

O bem da má vontade

Miguel Esteves Cardoso
in Público, 2010-11-30

A Maria João não gosta de agriões. Odeia. Mas, de vez em quando, quando tem pena de mim, faz-me a melhor salada de agriões do mundo.

Detesta lavá-los e arranjá-los. Detesta temperá-los. Mas, por obrigação, com sacrifício e perda de prazer e de tempo útil, faz-me uma salada de agriões. Eu aprecio mais a salada - dá-me mais gosto por causa disso. Também eu, não em contrapartida mas em compartida, meto-me em trabalhos por causa dela, que me custam, porque sei que ela vai gostar.

O prazer de ver o outro feliz é verdadeiro e bom - mas não compensa, em termos de tempo e de energia gastas (incluindo o que não se fez por estar a fazer aquilo que não nos apeteceria, se fosse só por nós). É uma dádiva.

É treta dizer-se que se cozinha com amor ou por paixão. Tudo o que eu comi de bom foi cozinhado com tédio, por dinheiro ou dever, com raiva de perder assim o tempo, por tão pequeno lucro.

O acompanhamento é a exigência, vinda dos anos 60, que não queremos nada que não nos seja dado de "boa vontade" ou, pior ainda, "sem ser por obrigação". Que cruel e prepotente disparate! As coisas melhores e mais bonitas são as que recebemos e damos por obrigação, por termos a consciência pesada, por dever, para não sofrermos a culpa de termos seguido as nossas vontades.

Exigir que nos façam as vontades de livre vontade e com prazer que não seja o de nos fazer a vontade é uma dupla estupidez. Por ser impossível e por tirar o mérito e o amor a quem nos faz.

29 novembro 2010

Barbara Streisand



Duck Sauce

enquanto o comboio passa,
pare, escute e olhe.
sinta, veja e oiça.
ganhe tempo!

The Cave...



Mumford & Sons

isto não é nada mau! Digo mais! isto tá muita bom!!!
obrigado Marta.

História breve do índio guarani.

De uma playlist que a Matilde pôs aqui,
Chega a história do índio guarani.

A playlist:

1. Julian Casablancas – Tourist
2. Humanos – Quero É viver
3. Beach House – Wedding Bell
4. David Fonseca e Rita Redshoes- Hold Still
5. Tiago Guillul – Beijas como uma Freira
6. GNR – Efectivamente
7. Os Pontos Negros – Conto De Fadas De Sintra A Lisboa
8. Alicia Keys – Empire State Of Mind
9. B Fachada – Conceição
10. Caetano Veloso – Alegria, alegria
11. Florence and the Machine – Dog Days Are Over
12. Little Joy – Brand New Start
13. Guilherme Arantes – Cheia de Charme
14. Camera Obscura – Lloyd, I’m Ready To Be Heartbroken
15. MGMT – Time To Pretend
16. Sia – Lentil
17. Jorge Palma – Jeremias O Fora da Lei
18. Vampire Weekend – A-Punk
19. Os Azeitonas – Mulheres Nuas
20. The National – England


A breve história do índio guarani:

É… lá na tribo é que era…

Depois um dia veio um Tourist inglês, claramente num Empire State of Mind que me disse para Hold Still enquanto ele tirava uma fotografia. Eu fartei-me e tinha chamado a GNR se houvesse lá na selva!!!
Quando lá vivia, fui sentindo cada vez mais forte uma voz a dizer Quero é Viver e então um dia parti. Despedi-me das Mulheres Nuas (foi duro) e pus-me a caminho! The Dog days Were Over! Era tempo de um Brand New Start!

Cheguei a Portugal e conheci a Conceição. O nosso tempo juntos foi um Conto de Fadas de Sintra a Lisboa… Literalmente! Chegámos a Lisboa e eu disse que tínhamos de falar. Ela percebeu onde eu queria chegar e disse “Lloyd (era a minha alcunha), I’m ready to be heartbroken…”
Ainda meio atarantado por ela ter percebido logo disse-lhe “Conceição… o problema é que tu beijas como uma freira…”. Ela deu-me um par de estalos (merecido) e disse-me, cuspindo ódio e mágoa, que eu era pior que o Jeremias o fora da lei… Depois de defender o seu orgulho acalmou-se, constatou que Efectivamente só tínhamos durado de Sintra a Lisboa, abriu um sorriso, olhou-me bonita e serena (mas à mesma sem saber dar beijinhos), disse “Lentil”… e partiu.
Nunca mais vi a Conceição e nunca percebi o que quer dizer Lentil. Foi assim a história da minha primeira namorada portuguesa!

O tempo passou, eu aculturei-me, arranjei um trabalho e achei que era Time to Pretend que gostava daquilo até aparecer uma coisa melhor.

Quando a vi pela primeira vez, a minha vida virou um turbilhão de emoções! Os planos desfizeram-se! Fui levado ao limite, deixei-me de pretend e aí percebi a verdade: Ela tinha ser minha, ou então eu dela! Era indiferente! Tínhamos era de ficar juntos!

Atravessei o bar enquanto revia na minha cabeça o que lhe ia dizer. Ela desarmou-me Cheia de Charme, no primeiro “olá”… ainda tentei fazer cara de mau como A-Punk mas não serviu de nada! Os primeiros minutos foram atordoantes! Tentei manter-me à tona como podia! Ela contava-me como tinha vivido em England e eu só lhe podia dizer que nunca tinha lá ido! A angústia desse primeiro encontro…! Mas, Alegria, alegria!!! Ela queria voltar a ver-me!!! E eu fui! E vimo-nos! E fomo-nos vendo…!

Vimo-nos durante dois anos até decidirmos que já não queríamos ver outra coisa até ao fim da vida!!!
Então agarrei nas minhas poupanças, comprei o melhor sino que encontrei e disse-lhe que era um Wedding Bell… (tive bem… tive muito bem!). Ela disse-me que sim e casámos uns meses depois. Trocámos colares de sinos (nós os guarani fazemos assim), e os últimos 60 anos foram os melhores da minha vida…

Ela partiu o mês passado. Selpultei-a com terra da minha aldeia.
Agora vou andando. Tenho de aprender tudo outra vez. Era o que ela quereria, acho eu…
Sempre fui eu que fui dela…

Little Lion Man...



Mumford & Sons

enquanto o comboio passa,
pare, escute e olhe.
sinta, veja e oiça.
ganhe tempo!

26 novembro 2010

On a lighter note...

(pensando bem... os posts anteriores falam da maior Leveza que o Homem pode sonhar. A tal do Homem Livre.)

É, talvez, caso para dizer - On a classy note:



...tá muita bom...

25 novembro 2010

Dos Homens e dos Deuses


Monges do Atlas...

"Não há maior amor que dar a Vida pelos amigos."

"Deixemos que Deus ponha a mesa para nós."
"Deixa passar o homem livre."
" Coragem."




Fui ver o filme "Dos deuses e dos homens".

Nada do que eu possa escrever será capaz de contar o que foi ter visto aquele filme.
É parte consolo, parte libertação, parte entrega e comoção.

À minha frente desenrolou-se a história da experiência de Deus.
Uma experiência de Deus contada da maneira mais honesta e palpável que talvez já tenha visto.
A abertura de coração a essa realidade, à possibilidade de que ela possa acontecer no coração dos homens, ainda que não no nosso, transpira em cada frame, em cada expressão ou deixa dos sete monges.

Arrisco dizer que os próprios actores e o realizador se permitiram dar o benefício da dúvida; arriscaram semi-abrir a porta a Deus para assim mergulhar profundamente nas suas personagens. Talvez alguns deles sejam crentes. Ou então não. Talvez me esteja a arriscar demais. Não faz mal...
Acho que vou sempre gostar de olhar para este elenco desta maneira.



" Deixemos que Deus ponha a mesa para nós".


"Deixa passar o homem livre"

A última ceia ao som de Tchaikovski e depois, serenos e entregues ao abraço do Pai.

"Coragem." A última palavra do filme.

24 novembro 2010

“When I invite you to become saints, I am asking you not to be content with second best.”

Papa Bento XVI no discurso aos alunos ingleses das escolas católicas.

Discurso na íntegra
aqui
Obrigado Joana

23 novembro 2010

Ontem, há quarenta e sete anos



John Fitzgerald Kennedy

Discurso Inaugural do 35º presidente dos EUA no dia 20 de Janeiro de 1960

No dia 22 de Novembro de 1963 era brutalmente assaninado em Dallas um dos presidentes mais promissores e carismáticos da história dos EUA.
Veterano da II Guerra Mundial (Marinha - pacífico sul), e vencedor do prémio Pullitzer. Católico e democrata, foi eleito com apenas 43 anos.

O relatório oficial indicou o ex-marine Lee Harvey Oswald como culpado.
O mesmo Lee Harvey Oswald foi morto à queima-roupa por Jack Ruby quando estava a ser levado da esquadra em que se encontrava detido, antes de qualquer julgamento.

Embora indicando Oswald como culpado, uma das entidades responsáveis pelo inquérito, a House Select Committee on Assassinations considerou como possível a existência de uma conspiração, baseando-se em dados acústicos captados durante o atentado.

Quem brinca com o fogo...!

23.11.2010 - 08:31 Por PÚBLICO, com agências

As desavindas Coreia do Norte e Coreia do Sul trocaram esta manhã centenas de tiros de artilharia junto a uma das ilhas de fronteira entre os dois países, tendo causado a morte a pelo menos um marinheiro sul-coreano, no mais grave incidente desde o fim da guerra das Coreias.




O ataque norte-coreano foi feito sobre uma ilha que fica a ocidente da península coreana, no Mar Amarelo, e terá feito pelo menos um morto entre as tropas sul-coreanas. Há, ainda, pelo menos 14 feridos na ilha Yeonpyeong.

O Governo de Seul já convocou uma reunião de emergência, prometendo uma resposta forte “se as provocações continuarem”, noticia a agência de notícias francesa AFP. A mesma fonte avança que o exército do país já foi colocado em alerta máximo e que vários aviões de combate vão começar a sobrevoar a zona dos ataques.

A YTN refere, também, que vários civis e soldados estão a ser encaminhados para bunkers. Já a Reuters avança que o ministro dos Negócios Estrangeiros do país pensa levar o caso às Nações Unidas.

Os obuses foram disparados depois do emissário norte-americano para a Coreia do Norte, Stephen Bosworth, actualmente em viagem na região, ter deixado Tóquio com destino a Pequim. O responsável encontra-se hoje com as autoridades chinesas para analisar a situação nuclear da Coreia do Norte – o que acontece apenas alguns dias depois de ter vindo a público a existência de uma grande fábrica de enriquecimento de urânio no país.

22 novembro 2010

por gente assim
como pão para a boca
chora a Gente
e não é pouca

mas a minha Gente que chora
ainda não percebeu
que perde pela demora
o Encoberto já morreu!

por cá só há imagem
vazios, manhas e fachada
truques de linguagem
a eterna palhaçada

fica tudo meio à espera
"alguém tem de resolver!"
e a pátria desespera
sem ninguém p'ra lhe valer

mas a minha Gente que chora
ainda não percebeu
que perde pela demora
o Encoberto já morreu!

o Chefe já não vem
nas areias, no rossio
nem resolve se chegar
na cadeira ou avião
as parcas vão ganhar
as parcas vão ganhar

mas a minha Gente que chora
ainda não percebeu
que perde pela demora
o Encoberto já morreu!

Chefe existe em cada um
em dever e capacidade
pela Gente lutemos todos
por Amor e Caridade!

mas a minha Gente que chora
ainda não percebeu
que perde pela demora
o Encoberto já morreu!

acordem o Zé Povinho
da Lapa à Madragoa
anda armado em coitadinho
e não vê que a hora é boa!

que interessa se bate o vento?
é preciso navegar!
a bater nos de São Bento
esquecemo-nos de zarpar!

fica o Sonho desvalido
se não deres a tua parte
o teu papel cumpre aguerrido
com o tal engenho e arte!

mas a minha Gente que chora
ainda não percebeu
que perde pela demora
o Encoberto já morreu!

o Encoberto já morreu...

Evaporar

Tempo a gente tem
Quanto a gente dá
Corre o que correr
Custa o que custar

Tempo a gente dá
Quanto a gente tem
Custa o que correr
Corre o que custar

O tempo que eu perdi
Só agora eu sei
Aprender a dar
Foi o que ganhei

E ando ainda atrás
Desse tempo ter
Pude não correr
Dele me encontrar

Ahh não se mexeu
Beija-flor no ar

O rio fica lá
A água é que correu
Chega na maré
Ele vira mar

Como se morrer
Fosse desaguar
Derramar no céu
Se purificar

Ahh deixa pra trás
Sais e minerais, evaporar!

by Little Joy

Saltar no Escuro... e não olhar para trás

Depois, Jesus obrigou os discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem, enquanto Ele despedia as multidões. Logo que as despediu, subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite, estava ali só. O barco encontrava-se já a várias centenas de metros da terra, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. De madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Ao verem-no caminhar sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: «É um fantasma!» E gritaram com medo. No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!» Pedro respondeu-lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas.» «Vem» - disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!» Imediatamente Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» E, quando entraram no barco, o vento amainou. (Mateus 14, 22-32)

Às primeiras horas da madrugada, o som de um alarme de incêndio interrompeu o silêncio e, no momento exato, despertou uma família para o choque de ver a sua casa envolvida pelas chamas. Sem tempo para salvar o que quer que fosse a não ser as suas próprias vidas, desceram as escadas a correr e escaparam para a escuridão. Ainda a recuperar o fôlego, o Pai contava os filhos: «João, Ana, Maria, Miguel... – onde está o Miguel?»

Naquele preciso momento, o Miguel, de cinco anos, chorava de uma das janelas do primeiro andar: «Mãe! Pai! Onde estão?»

Era demasiado tarde para voltar a entrar – a casa estava um inferno – pelo que o Pai respondeu: «Salta, Miguel, que eu seguro-te».

Entre soluços, a criança chorava: «Mas eu não consigo ver-te, papá!»

O pai respondeu-lhe calmamente: «Eu sei que não me consegues ver, filho, mas eu vejo-te. Salta!»

Durante alguns instantes não houve nada a não ser o silêncio. Então o rapaz saltou para a escuridão e encontrou a segurança nos braços do pai.

***

Nós somos aquela criança, todos nós, todos os dias: apanhados no escuro, precisando e querendo saltar, mas incapazes de ver onde vamos cair, sentindo-nos sós e assustados. Somos também Pedro, querendo andar sobre a água em direção a Jesus, mas hesitamos e deixamo-nos submergir.

“O medo é inútil», disse muitas vezes Jesus. “O que é preciso é fé”. Está certo, mas a fé de que Ele fala não é o que muitos de nós pensamos. Não se tratam de abstrações teológicas. Trata-se de nos confiarmos às mãos de Deus porque sabemos que Ele nos ama mais do que nós nos amamos a nós mesmos.

Mas ainda que esta ideia esteja clara, podemos ainda ficar desorientados por pensarmos que, ao confiar em Deus, Ele nos protege do fracasso e da dor. A promessa não é essa. A promessa de Deus para aqueles que nEle confiam é esta: Ele dar-nos-á a força para enfrentar todos os problemas que surgirem, e nunca deixará que sejamos destruídos por eles, ainda que morramos.

Mas a fé tem ainda outro lado: os talentos e dons que Deus nos deu porque Ele teve fé em nós. Pedro perdeu a fé nos dons que Deus lhe havia dado e esperou que Deus resolvesse o problema. Resultado: afundou-se! Confiar em Deus significa também confiar nos seus dons. E confiar nos seus dons significa usá-los.

Há uma antiga expressão que diz: Trabalha como se tudo dependesse de ti, e reza como se tudo dependesse de Deus. É precisamente o que é necessário, mas não é fácil aplicá-lo porque não conseguimos ver Deus, e demasiadas vezes não conseguimos ver os nossos dons. Pode ajudar recordar as palavras escritas há mais de 50 anos na parede do gueto de Varsóvia:

Acredito no sol, ainda que não brilhe.

Acredito no amor, ainda que não o sinta.

Acredito em Deus, ainda que não O veja.

Confie em Deus e confie nos dons que Ele lhe deu. Ou seja, use os seus dons. E então salte! E nunca olhe para trás!



Mons. Dennis Clark
In Catholic Exchange
Trad. / adapt.: rm
© SNPC (trad.) 20.11.10

11 novembro 2010

Fome

10 11 2010 21.51H

João César das Neves naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

Escolas abrem ao fim de semana para matar a fome aos alunos.» Apesar da crise política, campanha presidencial e urgência dos juros da dívida, o Expresso escolheu este para título principal do último sábado. Foi uma excelente opção jornalística. Este é sem dúvida o verdadeiro problema do momento: volta a haver fome generalizada entre nós. Tudo empalidece ao lado disto.

Mas este título mostra também um outro facto ainda mais importante. Perante a incapacidade do Estado, a sociedade enfrenta a emergência. «Mesmo quando não há apoios extras do município ou do Ministério da Educação, muitos estabelecimentos de ensino fazem tudo para minimizar as carências alimentares de algumas crianças. [...] Notámos que havia alunos que não comiam o pão do almoço ou a sandes do lanche [...] iam discretamente ao pátio dar o que não comeram a um colega que lhes tinha pedido para poder levar para casa.» (p. 22)

Há várias décadas que, com custo de milhões, os sucessivos governos nos asseguraram que a sua política eliminaria a pobreza. Proclamaram o sucesso várias vezes. Agora, quando é mesmo preciso, tudo se desmorona. Parece que nos 80 mil milhões de euros do Orçamento de Estado não há dinheiro suficiente para alimentar crianças. Compreende-se, é preciso acorrer ao TGV e outras prioridades.

Os políticos estão presos de si mesmos. Felizmente ainda restam as escolas, paróquias, IPSS, serviços camarários, ou simplesmente os vizinhos e colegas. Esta é a grandeza de Portugal e enquanto existir a crise dos políticos não nos vence.

08 novembro 2010

De que falamos quando falamos de santidade..

"Sophia de Mello Breyner naquele conto tão conhecido, “O retrato de Mónica”, explica que a poesia é-nos dada uma vez e quando dizemos que não ela afasta-se. O amor é-nos dado algumas vezes, e também se o recusamos ele distancia-se de nós. Mas a santidade é-nos dada todos os dias como possibilidade. E se a recusamos teremos de a recusar todos os dias da nossa vida, porque quotidianamente a santidade se avizinha de nós.

Contudo, fizemos da santidade uma coisa tão extraordinária, abstrata e inalcançável, que quase não ousamos falar dela. Muito menos no espaço público. De certa forma, habituamo-nos a olhar para a experiência cristã como que acontecendo a duas velocidades: o caminho heroico dos santos e a frágil estrada que é aquela de todos os outros, e por maior razão a nossa. Ora esta conceção de santidade não pode estar mais longe daquilo que a tradição cristã propõe, pela qual pugnou e pugna. O Concílio Vaticano II, por exemplo, deixa bem claro: a santidade é vocação mais inclusiva e comum. Mas é preciso entender de que falamos quando falamos de santidade.

Bastar-nos-ia certamente ler as bem-aventuranças. Jesus não diz que os bens aventurados são os outros, os que não estão ali. Jesus olha para a multidão e começa a dizer: “bem-aventurados vós os pobres”, “bem-aventurados vós os aflitos”, “bem-aventurados vós os misericordiosos”. O quê que isto quer dizer? Que são, no fundo, as nossas pobrezas, fragilidades, aflições, mansidões, procuras de justiça, sedes de verdade, as nossas buscas por um coração puro, que dão a substância da bem-aventurança, a matéria da santidade.

É naquilo que somos e fazemos, no mapa vulgaríssimo de quanto buscamos, na humilde e mesmo monótona geografia que nos situa, na pequena história que dia-a-dia protagonizamos que podemos ligar a terra e o céu. Falar de santidade em chave cristã passou a ser isso: acreditar que a humanidade do homem se tornou morada do divino de Deus."

José Tolentino Mendonça
04.11.10

Guia para a Crise

JOÃO CÉSAR DAS NEVES
Diário de Notícias 2010-11-08

Tem custado a assumir, mas parece que todos finalmente aceitam que estamos em crise. Até o Governo abandonou meses de hesitação e panaceias e adoptou esse discurso oficial. Tirando José Sócrates, toda a gente no mundo sabe que Portugal vive uma crise séria. Agora só falta enfrentá-la. Algumas ideias simples podem ajudar.

Primeiro: deixar-se de queixas. Temos de abandonar o ar pesaroso e indignado. As crises são normais, frequentes, e não são o fim do mundo. Já tivemos muitas, várias muito piores que esta, e teremos bastante mais no futuro. Lamentos, zangas e desesperos são agora, não só ridículos, mas prejudiciais. O que há a fazer é deixar-se de tretas e deitar mãos à obra. Compreende-se que os sindicatos tenham de fazer manifestações e declarar a greve geral. É a sua função e há que cumprir calendário. Mas isso não resolve nada e complica tudo ainda mais. Queixar-se nesta altura é perda de tempo. Nem sequer nos devemos queixar do facto evidente de aqueles que protestam não serem os mais afectados, pobres e desempregados, mas aqueles que defendem benefícios que criaram a crise.

Segundo: deixar-se de acusações. A crise tem vários culpados, alguns evidentes. E até é verdade que muitos desses estão a passar incólumes beneficiando das suas tropelias. Justiça e tribunais devem puni-los. Mas também devemos deixar a busca obsessiva de arguidos. É muito estúpido, quando a casa está a arder, instaurar controversos processos de intenção e responsabilidade, envolvendo-se em discussões necessariamente longas. Há um tempo para tudo, e este não é tempo de recriminações. Até porque a culpa última é de todos nós, que cá vivemos estes anos.

Terceiro: deixar-se de fantasias. As fantasias são de dois tipos: as tolices optimistas do Governo e os cenários catastróficos das conversas de café. Estas últimas são as mais perigosas. Portugal não é um país miserável, incapaz e sem saída, que voltou à desgraça de sempre. Somos um estado desenvolvido, moderno, onde muitas coisas funcionam bem e existem excelentes oportunidades. É verdade que nos deixámos endividar na euforia, mas isso até é sinal de credibilidade. Agora temos de pagar: o problema é grave mas está circunscrito. É preciso enfrentá-lo sem perder a cabeça em atoardas. O realismo é o melhor trunfo para enfrentar as dificuldades como elas são. Sem as escamotear, mas também sem as exagerar.

Quarto: enfrentar a crise. Os portugueses, que costumam dormir na bonança, dão o seu melhor nos momentos impossíveis. A recessão não tem uma solução; tem milhões. Dez milhões, para ser exacto. Será cada um, lidando de forma prática com as dificuldades reais que se lhe colocam, que construirá a resposta indispensável para a crise nacional. Trabalhar mais e melhor, poupar mais, investir mais e melhor são as saídas, agora como sempre. Além da criatividade, imaginação, improvisação e desenrascanço em que somos peritos. Se fizermos isto uns tempos veremos que a crise passa muito mais depressa que julgamos.

Para alguns a saída é mesmo sair do país. É uma resposta habitual por cá, que não nos deve deprimir. Fizemo-lo muitas vezes e voltaremos a fazê-lo. Sabemos aliás que é lá fora que damos o nosso melhor. Desta vez é bom lembrar que um dos mais apetecidos destinos de emigração tem sido... Portugal. Todos os empregos que desdenhámos na última década, e que trouxeram para cá milhares de estrangeiros, continuam por aí. E naturalmente os portugueses ainda têm vantagem face a emigrantes ou a emigrar. Ou não?

Ainda falta algo essencial: não podemos perder a nossa tradicional compaixão pelos que mais necessitam e sofrem. A crise ataca alguns de forma brutal e temos todos de os ajudar. Sabemos bem que "ai dos pobres se não forem os pobres". A injustiça nacional dos últimos anos deveu-se precisamente a que, sendo novos ricos, por momentos perdemos de vista os antigos valores. A crise tem de ser um chamamento à famosa hospitalidade lusitana.

Todos sabemos que estamos em crise. Agora só há uma continuação possível: sair dela.

naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

04 novembro 2010

Teflon®

DESTAK 03 11 2010 20.39H
João César das Neves naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

Não é fácil, mas tente olhar José Sócrates em termos puramente estéticos. Abstraindo da gravidade da situação e influências na nossa vida, considerando apenas a capacidade de manipulação e sobrevivência política, Sócrates é espantoso.

Fiascos, crises, mentiras e inversões passam sem efeitos. Nunca é afectado pela realidade, não cede a escrúpulos, não teme escândalos. Sobreviveu às dúvidas sobre a sua licenciatura em Março de 2007, os casos Freeport desde 2005 e Face Oculta desde 2009 e os ataques mais violentos. É impressionante a capacidade de inverter compromissos, mudar de carácter, esquivar-se de golpes. Como nas panelas de Teflon, nele tudo desliza sem pegar.

Hoje a crise é gravíssima, paralisa a economia, desanima a sociedade, danifica a imagem internacional. O Governo, no poder há cinco anos, afunda-se em culpas, contradições, hesitações, bloqueios. Normalmente já teria caído ou sofreria sondagens mise-ráveis e atitude defensiva, acossada ou apática. Assim foram John Major, George Bush, agora Zapatero.

Sócrates não! Nunca se desculpa, nunca lamenta, nunca recua. Segue sempre em frente. No meio da tempestade perfeita mantém o ar inocente, triunfante até. E com razões. As sondagens são aceitáveis e a sua eficácia tribunícia permanece imponente. Quem o ouve é levado para um reino fantástico e sedutor onde, omitindo os fiascos, se olha com confiança o sucesso da próxima proposta. No campo orçamental roça o surrealismo.

A situação política está a fritar o Governo há anos e ultimamente o lume subiu. Mas Sócrates é Teflon.

19 outubro 2010

The Nice - America 68



...the roaring 60's!!!

enquanto o comboio passa,
pare, escute e olhe.
sinta, veja e oiça,
ganhe tempo!

11 outubro 2010

One Fine Day



David Byrne & Brian Eno
dupla genial

(muita da banda sonora do wall street 2010 é deles)

22 setembro 2010

OK GO - White Knuckles



enquanto o comboio passa,
pare, escute e olhe,
sinta, veja e oiça.
ganhe tempo!

tá muita bom!!!
as rampas, as cores, os cães, a ideia (!!!), a música!
estes gajos são os reis dos videoclips!

21 setembro 2010

17 setembro 2010

O país afunda-se mas o circo não pára
Público 2010.09.17

José Manuel Fernandes, jornalista

Roteiro de duas semanas de volta ao país irreal de Sócrates de inauguração em inauguração.

"No dia 28 de Agosto, um sábado, José Sócrates inaugurou um pedaço de estrada de 14 quilómetros. Entre Oleiros e Proença-a-Nova. Esses quilometrozitos, disse, serão muito importantes "para o dinamismo económico e para a segurança rodoviária"...

Três dias depois, a 31 de Agosto, foi à inauguração de um jardim-de-infância num hipermercado Jumbo. Quem pagou foi o grupo privado, mas Sócrates gabou-se de ter chamado a atenção "para a necessidade de se resolver o problema crónico da falta de investimento em creches".

No dia seguinte voltou a uma creche, desta vez em Torres Vedras. A instituição era de uma IPSS, e não do Estado, mas o primeiro-ministro foi lá para falar "dos desafios do Estado social moderno", falando em "investimento do Governo" quando este nem chegou a cobrir um terço dos custos. De resto, das 342 creches abertas entre 2004 e 2008 só duas são públicas, as restantes ou são privadas, ou pertencem a IPSS. De Torres Vedras o primeiro-ministro saiu a correr para a Líbia, onde foi o convidado de honra de Kadhafi nas cerimónias do 41.º aniversário do regime, onde esteve sempre ao lado do ditador, partilhando o mesmo automóvel.

A 3 de Setembro foi a vez de ir a Braga, agora para inaugurar um hotel. Aproveitou para falar da "recuperação da economia". Já o dia 4 foi dia de comício. O local escolhido foi um jardim público em Matosinhos que, de acordo com os moradores, estava pronto há vários meses mas estivera fechado com um gradeamento que só desapareceu para montar o palco de Sócrates.

Dia 7 voltou a um jardim-de-infância, desta feita em Lisboa, para celebrar "um feito": Portugal aparecer no relatório da OCDE sobre Educação com uma taxa de cobertura do pré-escolar superior à média. Mas não comentou o resto do relatório da OCDE, que não era nada favorável a Portugal e ao que cá se fez nos últimos anos.

A 8 de Setembro Sócrates trocou o pré-escolar pelo ensino bási- co e foi até Paredes inaugurar um centro escolar. O tema foi o encerramento de escolas do básico, um processo que celebrou de forma tão entusiasmada que, ao ser confrontado com os conflitos com algumas autarquias e as obras atrasadas, sentenciou: "Não estou preocupado com excepções."

A 9 de Setembro escolheu Alverca onde, talvez inspirado pelos fumos das fábricas, falou sobre cursos profissionais.

Depois, a 10 de Setembro, regressou à Escola Secundária de Pedro Nunes, onde já tinha estado em 2008 e 2009, mas parece haver sempre coisas novas para ver. Foi lá que anunciou cem-inaugurações-cem de escolas para o 5 de Outubro, invocando a aposta da República na Educação. Só que essa aposta foi sobretudo retórica, tendo-se traduzido num enorme fiasco: entre 1911 e 1930 a percentagem de analfabetos baixou apenas sete pontos percentuais (de 75 para 68 por cento) enquanto, nos dez anos seguintes de Estado Novo, baixaria mais de oito pontos (de 68 para menos de 60 por cento).

No dia 13 rumou ao Funchal - um amor recente -, onde fez companhia a Alberto João Jardim na abertura do Ano Académico da Universidade da Madeira. No dia seguinte já estava no Porto, no Instituto Superior de Engenharia, onde foi surpreendido pelos estudantes, que lhe entregaram uma medalha "por fazer com que Portugal seja o país da Europa onde as famílias mais gastam com educação".

Este frenesim e esta sucessão de banalidades ditadas para a comunicação social é todo um estilo de governação. Todos os dias tem de haver um evento para consumo para garantir uns minutos no telejornal, naquilo a que já chamaram os "momentos Chavez" de Sócrates, traduzindo uma forma de fazer política onde tudo é espectáculo e acções de propaganda, alimentadas por citações de estatísticas à la carte, onde tudo visa centrar sobre o "líder" e sobre o seu país irreal a atenção da comunicação social. Ao mesmo tempo instala-se o diálogo e faz-se da fuga em frente uma forma de evitar governar e, sobretudo, de se ser confrontado com os limites e os desastres da governação.

Até porque, entretanto, há um país teimosamente real. Nestas semanas ficámos a saber que Portugal caiu mais três lugares no índice de competitividade do Fórum Económico Mundial (já recuamos 18 lugares desde que Sócrates é primeiro-ministro) e caiu outros dois lugares no ranking dos melhores países para fazer negócios da revista Forbes. São dois indicadores preocupantes de como estamos a perder a corrida e de como nos será cada vez mais difícil sair da crise. Pelo que não surpreende que as previsões revistas da Comissão Europeia confirmem a anemia portuguesa: em 2010, o crescimento na UE foi revisto em alta, para 1,8 por cento, mas o português deverá ficar abaixo de um por cento. Pior: enquanto no segundo trimestre o emprego na União Europeia recuou 0,6 por cento, em Portugal caiu 1,5 por cento, permitindo que no final de Julho tivéssemos a quarta mais elevada taxa de desemprego de toda a OCDE.

Entretanto, a despesa pública continua a aumentar, como se estivéssemos numa nave de loucos. O país endivida-se ao ritmo de 2,5 milhões de euros por hora, os juros estão em máximos históricos e crescem os rumores de que o FMI já está à porta.

Numa situação destas, o que o país devia estar a discutir, com seriedade, era se no Orçamento de 2011 a redução do défice se fará por mais subidas de impostos ou pela redução da despesa, pois isso não é indiferente para a saúde da economia, mas todos se entretêm em jogos florais sobre o destino de uma negociação que tem de existir - o Governo é minoritário -, mas que ainda nem sequer começou. Sendo que, como escreveu esta semana Vítor Bento, ao estar a "dramatizar a não aprovação do novo Orçamento" está-se "a enviesar o processo negocial" e a aceitar a chantagem de quem não recebeu dos portugueses mandato para governar sozinho.

Em Portugal nunca se aprende nada. E o que mais aflige é como o país saltita, tal como uma barata tonta, de "caso" em "caso", sem sequer perceber a irrealidade do mundo que o primeiro-ministro lhe procura apresentar no seu corrupio de inauguração em inauguração. É que se há um ano nos apresentaram uma narrativa política (sobre a irrelevância do endividamento do país face à importância dos investimentos públicos, por exemplo) que se revelou totalmente falsa mal passaram as eleições, agora criaram outra narrativa irreal (a de que é mantendo tudo como está que se salva o Estado social) e ainda há quem lhes dê o benefício da dúvida. Mesmo depois de ouvir a ministra da Cultura dizer o contrário ao avisar que "o Estado social encontrou o seu limite"...

Nas óperas-bufas ainda sorrimos - neste país-bufo já só rangemos os dentes."

16 setembro 2010

Alguém sabe como é que se convive à velocidade do Mundo e se vive ao ritmo do Reino?
...Aceitam-se ideias...

14 setembro 2010

A cantar como se tivesse 19...



...tá muita bom...


E agora o produto final:



O que é que vem aí?

Repressão Sexual
in Público, 2010-09-14 Pedro Lomba, jurista

"Um dos confortos de ser educado em Portugal até há muito pouco tempo era não receber doses sistemáticas e programadas de educação moral ou sexual na escola. Era a vantagem e a liberdade de não cairmos nas mãos de um qualquer catequismo, sujeitos à orientação superior de burocracias e ministérios. No caso do sexo, a abstinência foi particularmente bem-vinda, porque nos permitiu ir descobrindo a coisa com um misto de curiosidade, prazer e ignorância.

Antes assim. Nem os nossos pais, que têm poderes que não tem o Estado, libertários só no papel, se atreveram a quebrar excessivamente essa regra. Para o bem de todos, souberam conter-se. Não que transformassem o sexo num acto terrífico. Acontece que também não faziam dele um tema livre. Não há aqui receio, soluções perfeitas. Mas esta até que nem funcionou mal.

Por isso encaro o início deste ano escolar com suspeição. Não irei apregoar catástrofes e fico-me pela suspeição. O novo ano lectivo torna a educação sexual obrigatória nas escolas. Os novos jovens terão aquilo a que a maioria de nós foi poupada: um tutor sexual ensinando conteúdos específicos para os diferentes ciclos de ensino. Já circulam kits sortidos para a pedagogia. No PÚBLICO de domingo abria-se um pouco o livro sobre o que pode ser esta educação. "Educação para a sexualidade e para os afectos", diz uma coordenadora. Mas isso é dizer nada. É também como diz a lei que menciona o objectivo de "valorizar a sexualidade e afectividade entre as pessoas no desenvolvimento individual, respeitando o pluralismo das concepções existentes na sociedade portuguesa". Se se chega a este ponto de ter de respeitar o "pluralismo das concepções da sociedade portuguesa" (que pluralismo?), é caso para pensar que esta nova disciplina será tudo menos inócua. Mas será o quê?

Estive a viajar na Holanda este Verão por motivos variados. Na Holanda, como se sabe, muita coisa é livre e o sexo também é livre. O modelo de educação sexual dos holandeses deve ser o mais ambicioso e explicativo do mundo. Então encontrámos rapazes de nove anos que aprendem num programa de desenhos animados sobre como devem masturbar-se; outros que recebem pénis desenhados em cadernos para colorir; uma rapariga de 12 que está a conhecer as posições sexuais do catálogo; e outro, já adolescente, que explicava a um jornalista (lido no Times) que "o sexo anal dói no princípio mas se persistirmos pode ser bastante agradável".

A Holanda é a vários títulos um país admirável. E tem uma taxa de gravidez adolescente que impressiona, embora os especialistas relacionem o facto mais com a estabilidade dos casais do que com a educação sexual. No entanto, com toda esta educação afirmativa para a sexualidade, digo-vos que nunca conheci sociedade mais assexuada do que a Holanda. O sexo é tão chato na Holanda, tão sem risco ou imoralidade, que não admira que as pessoas pensem noutras coisas e programem a vida íntima como uma lista de compras. As holandesas marcam na agenda os dias da semana em que têm intercurso com os maridos. Os maridos preparam-se para o ritual como para uma disciplina. Os holandeses esmeraram-se em tornar o sexo educável. No caminho também mataram metade da piada.

Millôr Fernandes, o genial humorista brasileiro, octogenário sexogenário, bem avisava: "A educação sexual vai transformar o sexo num negócio tão chato que as pessoas vão preferir chupar um Chicabom na porta do Bob"s." E concluía: "Educação sexual é apenas uma outra forma de repressão".

Que há negócios que temos preferencialmente de descobrir por nós próprios, antes de qualquer educação formal e selectiva sobre elas, não me parece digno de grandes polémicas. Faz parte da construção normal da individualidade e da moralidade. Sem o direito de posse absoluta sobre as experiências íntimas de cada um, o mundo seria um lugar de susto. Seria até um lugar repressivo. Não nos roubem isso, ó educadores sexuais do meu país."

Vá lá senhora!



Já está aí! Já rebentou!

OS GOLPES - VÁ LÁ SENHORA

09 setembro 2010

PORTUGAL, ON THE WORLD MAP

Contra o pessimismo bafiento e o bolorento pronvincianismo do "só lá fora é que é!"
Saibam porquê aqui
Grande Surrealista!!!
Tá muita bom!!!

08 setembro 2010

The XX - VCR



enquanto o comboio passa,
pare, escute e olhe.
sinta, veja e oiça,
ganhe tempo!


Nota do autor para o eventual leitor: lá porque passam muitos comboios, isto não virou apeadeiro perdido e fosco, hein?! Até que vão acontecendo coisas interessantes na vida do autor.
Bem haja! Volte sempre!

02 setembro 2010

Cortar na despesa

"A mais infame das expressões políticas em Portugal é: "a despesa do estado é incompressível". Quando o Sector Público prevê cortar este ano mais de 81 mil milhões de euros, quase metade do PIB, como pode ser impossível cortar?

A situação nacional é grave, mas tem a grande vantagem de ser simples de explicar. As últimas décadas criaram uma enxurrada de direitos, serviços, obras, exigências, garantias, benefícios. Gerações de políticos congratularam-se por acumular mais uma benesse para este ou aquele.

Nunca explicavam como se pagava. Cada uma era pequena e justificável; a totalidade é a ruína do Orçamento, que aumentou 60% em termos reais em 15 anos. Só se foi pagando porque a dívida cresceu, enquanto as sucessivas subidas de impostos, que nada resolviam, estrangulavam a economia. Agora, assustados pela crise, os credores internacionais perderam a paciência.

Não vale a pena fingir ou criar encenações. A solução não exige rever a Constituição, espiolhar o Orçamento, substituir o Governo. É só necessário um pouco de coragem e sentido de Estado. Depois há que conceber um programa sério, geral e responsável de redução equilibrada de benefícios (salários, pensões, subsídios, apoios, obras e serviços), procurando manter a justiça mas cortando a sério a estrutura e tendência da despesa.

O FMI faz isso de borla. Não vale a pena dramatizar nem exagerar o sacrifício. A despesa só é incompressível se o poder político for mole."

João César das Neves, 01/09/2010

31 agosto 2010

Indústria Hi-Tech do pensamento

Queria ter uma assistente que tomasse notas enquanto olho para um número dentro de uma caixa, que está dentro de outra caixa que faz contas, que por sua vez está dentro de ainda outra caixa que me mostra o que a caixa que faz contas está a fazer.

Seria uma espécie de Twitter mas sem a parte obsessiva e o troar compulsivo das teclas no pano de fundo.
À noite fazíamos o balanço das minhas notes to self e o processo de cristalizar as brisas que passam aqui dentro podia começar...
Penso, concretizo, torno meu e depois escrevo. Escrevo à velocidade da luz, sem agravo ou contratempo, os reflexos fugazes do que esteve à minha volta. Mas só os que valem a pena...
Tudo isto enquanto a tal assistente me serve leite e bolinhos, já agora.

Já experimentei escrever post-it's para ler depois, à noite. Só que ideias frias não têm graça nenhuma e não há grémio reunido para tratar de as esquentar. Essa gente criativa quando vem é só de passagem...!
Enquanto ninguém inventa um Tiwt yourself continuo a jogar à cabra cega enquanto a caixa das contas corre mais um ciclo.

29 julho 2010

28 julho 2010

Parada de sabichões...

Costumam ler os comentários aos artigos nos sites dos vários jornais?
São um tesouro!!!

Quanto mais quente o artigo, mais parecido a uma lota se torna o fórum de comentários, com "postas" a voar de um lado para o outro!!!
O mais delicioso é quando os comentadores começam à batatada entre si: "caro anónimo...".

Os estilos são variados, desde os mais brutos que só escrevem em CAPS LOCK, num discurso nem sempre coerente; aos "iluminados" que se auto-intitulam defensores da sociedade moderna e civilizada, que escrevem naquele tom meio condescente e explicativo onde abundam os "evidentemente", os "toda a gente sabe", a velha máxima "os países desenvolvidos já o fazem" ou a sublime constatação "em pleno século XXI"; aos arautos do consenso que nos trazem postas de uma vacuidade quase absurda...!

Não sei se é pelo imediatismo de ter Voz à distância de um click ou se é pelo anonimato relativo que esses fóruns nos dão.
O que sei é que reina o opinanço gratuito!!!
Pensar duas vezes é que não!

Enfim, as pérolas são de tal ordem que se pode ficar dias seguidos a ver passar a procissão!
Vivam os sabichões da nossa praça!
Abram alas para o cortejo da "Sabedoria"!

Note-se que em sites de jornais e publicações de outros países o fenómeno repete-se!

12 julho 2010

Drexler em Vigo: Que concerto!!!



Drexler em Vigo no dia da meia-final Uruguai-Alemanha.
Já não podendo atrasar mais o concerto, entrou com o seu portátil para ver os últimos minutos. É o maior!
Neste filme não se vê mas, estivemos quase a ver o prolongamento em directo! Se aquele livre do Forlán tivesse entrado...!

Que concerto brutal!!!

Tá muita bom...

05 julho 2010

the national - start a war

"we expected something
something better than before
we expected something more
do you really think you can just put in a safe behind a painting
lock it up and leave?
walk away now and you're gonna start a war"
___________________________________________________
tranca o sonho que a Voz te deu
amordaça o Grito do coração
esquece-te que a Chama não morreu
ou deixa-te fugir da mão
se não limpas a poeira, vives em pé de guerra
se te esquivas ao caminho, perdes a vida inteira

02 julho 2010

The North American Aviation P-51 Mustang was an American long-range single-seat WWII fighter aircraft.
Designed and built in just 117 days, the Mustang first flew with the Royal Air Force (RAF), serving as a fighter-bomber and reconnaissance aircraft before conversion to a bomber escort, employed in raids over Germany, helping ensure Allied air superiority from early 1944. The P-51 was in service with Allied air forces in Europe and also saw limited service against the Empire of Japan in the Pacific War. The Mustang began the Korean War as the United Nations' main fighter, but was relegated to a ground attack role when superseded by jet fighters early in the conflict. Nevertheless, it remained with some air forces until the early 1980s.

in Wikipedia

30 junho 2010

15 junho 2010

enquanto o comboio passa...


enquanto o comboio passa,
pare, escute e olhe.
sinta, veja e oiça!

ganhe tempo...

Jorge Drexler - Las Transeuntes

Que SHOW!!!
Que Rei!!!


...tá muita bom...

enquanto o comboio passa...




...pare, escute e olhe
sinta veja e oiça.
ganhe tempo!

Daft Punk - Harder, Faster, Stronger (Alive 2007)

Para ver a live performance vão aqui

Que SHOW!!!

14 junho 2010

World Cup Fever no trabalho da minha irmã!!!



Diz que a minha irmã está fazer voluntariado na Diepsloot School.
É que está lá longe, vestida de amarelo e a mexer no cabelo.

Toca a aprender a dança do Verão!!!

enquanto o comboio passa...



Sweet Child of Mine - Guns 'n' Roses

08 junho 2010

Qué es lo que viste en mí?
Qué es lo que te hizo abrir así?
Tus miedos, tus piernas, tu calendario,
Las siete puertas sagradas de tu santuario.
La estraña luz de tu cámara oscura
El infranquiable cerrojo de tu armadura
Las transeuntes se han organizado
Tienen el deambular sincronizado
[...]
Drexler

Novo Drexler, de novo


novo disco :: "Amar la trama" :: http://www.jorgedrexler.com/


Amar a trama
Da trama não nos livramos
Das curvas e enredos somos parte
Imersos em histórias dos outros
Tramadas ou que tramam
Somos fios do novelo
Que tece a magna trama

Há uma trama à nossa volta
Já cá estava quando chegámos
Há uma trama à nossa volta
À espera da nossa parte
Ficar em casa é ser tramado.
Amar a trama é ser amado.





21 maio 2010

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.
Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.
Há muitas coisas que eu quero ver.
Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra Em primavera feroz pricipitado.
Sophia de Mello Breyner Anderson

23 abril 2010

Ser branco em África

Não sei quem escreveu este poema.
Encontrei-o no panfleto que recebi na exposição de fotografia "A Ponte", da ONG We and You.

Grato pela companhia, ao Sr. Mar me Quer!
tá muita bom!

"Branco em África é dinheiro.
Branco em África é chamado mucunha, até por crianças de dois anos.
Branco em África é observado.
Branco em África é assediado por caça-turistas, que nos querem vender tudo.
Branco em África recebe sorrisos e acenos.
Branco em África é correspondido quando sorri e acena.
Branco em África não conquista confiança.
Branco em África é confundido com outros brancos.
Branco em África percebe a miséria deste Continente.
Branco em África não percebe de onde vem tanta alegria.
Branco em África conhece o desesperar, ter remorsos, querer desistir e respirar fundo para voltar a ganhar esperança.
Branco em África é frágil e mariquinhas.
Branco em África tem os pés fofos, medo de queimar as mãos no fogo, medo do sol e dos mosquitos.
Branco em África não sabe dançar.
Branco em África não gosta de música.
Branco em África tem força, destreza ou agilidade.
Branco em África não tem jeito para trabalhos manuais.
Branco em África é chamado de boss e patrão.
Branco em África põe-se a imaginar como seria a nossa vida sem estímulos e educação.
Branco em África percebe o que quer dizer esforço físico.
Branco em África é bem-vindo.
Branco em África dá valor à àgua.
Branco em África tem que perder o medo do escuro.
Branco em África dá valor infinito à electricidade.
Branco em África aprender a ter paciência.
Branco em África é motivo de chacota.
Branco em África é alvo de admiração.
Branco em África conquista gargalhadas sem ter dito uma piada.
Branco em África não pode usar a ironia.
Branco em África tem medo que o racismo nunca morra.
Branco em África percebe a efemeridade, a inutilidade e a arrogância do conforto.
Branco em África não pode - e não quer - ajudar toda a gente.
Branco em África recebe pedidos de ajuda por parte de toda a gente.

Ser branco em África é ganhar juízo e dar valor à vida que se tem em casa, e perceber que não há razões para não ser feliz..."

enquanto o comboio passa...



Two Weeks - Grizzly Bear

enquanto o comboio passa...



Ready, Able - Grizzly Bear

22 abril 2010


"Quando nós não nos comprometemos com a renovação do mundo, então sonhámos um lindo sonho!"
Pe. José Kentenich


Mudança

enquanto o comboio passa,
pare, escute e olhe.
sinta, veja e oiça.
ganhe tempo!
Esta era a ideia por detrás da passagem de nível que hoje é encerrada.
A linha foi desactivada e já não passam mais comboios. Podem ver a última carruagem aqui.
Inspirado por quem gosta de acordar bem disposto, a passagem de nível vai passar a apeadeiro. O cantinho passa a rúbrica e enquanto o comboio passa, vão poder continuar a parar, sentir e ouvir, aqui, neste tá muita bom de coisas minhas e dos outros, grandes ou pequenas.
Aproveitem os descansos da corrida...

Poder Supremo...

DESTAK 21 04 2010 20.55H
João César das Neves naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt


"Há uns dias um jornalista escrevia sobre os casos de pedofilia com o título: «A maior crise da Igreja Católica dos últimos 100 anos» (António Marujo, Público, 27 de Março). Mas a Igreja Católica nos últimos cem anos sofreu as terríveis perseguições de ateus e maçons no México, Portugal, etc. Seguiram-se os morticínios nazi, soviético, maoísta.

A Igreja Católica nos últimos cem anos foi eliminada fisicamente em múltiplos países e teve mais mártires que na acumulação dos anteriores 1900 anos. Um Papa foi baleado. Além disso existiram enormes crises teológicas, desde a polémica do modernismo até às terríveis tempestades do pós-concílio, o cisma Lefebvre, teologia da libertação, perda de vocações.

Será a crise de hoje maior que tudo isto? Os crimes agora referidos são sem dúvida muito graves, mas a Igreja condenou-os inequívoca e repetidamente. Para mais estão centrados num punhado de clérigos, vários já falecidos. Enquanto a Justiça trata dos casos, a vida real de fiéis e instituições eclesiais continua. Que é que querem mais?

Juízo tão feroz só esse entende de uma forma. É que desta vez a Igreja enfrenta, não Hitler, Estaline ou a heresia, mas o poder supremo dos jornais. Os jornalistas consideram-se a força mais devastadora de todos os tempos. Depois de Watergate, a imprensa sente-se capaz de assaltar o próprio Altíssimo.

Ou pelo menos o seu Vigário na Terra. Foi isso que o Miguel Sousa Tavares afirmou no último Expresso sobre o Papa: «mais duas ou três revelações e ele desaba». Diz o oráculo do poder supremo."

06 abril 2010

Haja HONESTIDADE e OBJECTIVIDADE!!!

Por José Manuel Fernandes
in Público, 2010.04.02

Bento XVI é parte da solução, e não parte do problema, na crise que os casos de pedofilia abriram na Igreja Católica

Não sou crente. Educado na fé católica, passei pelo ateísmo militante e hoje defino-me como agnóstico. Talvez não devesse, por isso, pôr-me a discutir os chamados "escândalos de pedofilia" na Igreja Católica. Até porque não sei se, como escreveu António Marujo neste jornal - no texto mais informado publicado sobre o tema em jornais portugueses -, estamos ou não perante "A maior crise da Igreja Católica dos últimos 100 anos".

Tendo porém a concordar com um outro agnóstico, Marcello Pera, filósofo e membro do Senado italiano, que escreveu no Corriere della Sera que se, sob o comunismo e o nazismo, "a destruição da religião comportou a destruição da razão", a guerra hoje aberta visa de novo a destruição da religião e isso "não significará o triunfo da razão laica, mas uma nova barbárie". Por isso acho importante contrariar muitas das ideias feitas que têm marcado um debate inquinado por muita informação errada ou manipulada.

Vale por isso a pena começar por tentar saber se o problema da pedofilia e dos abusos sexuais - um problema cuja gravidade ninguém contesta, ocorram num colégio católico, na Casa Pia ou na residência de um embaixador - tem uma incidência especial em instituições da Igreja Católica. Os dados disponíveis não indicam que tenha: de acordo com os dados recolhidos por Thomas Plante, professor nas universidades de Stanford e Santa Clara, a ocorrência de relações sexuais com menores de 18 anos entre o clero do sexo masculino é, em proporção, metade da registada entre os homens adultos. É mesmo assim um crime imenso, pois não deveria existir um só caso, mas permite perceber que o problema não só não é mais frequente nas instituições católicas, como até é menos comum. Tem é muito mais visibilidade ao atingir instituições católicas.

Uma segunda questão muito discutida é a de saber se existe uma relação entre o celibato e a ocorrência de abusos sexuais. Também aqui não só a evidência é a contrária - a esmagadora maioria dos abusos é praticada por familiares próximos das vítimas - como o tema do celibato é, antes do mais, um tema da Igreja e de quem o escolhe. Não existiu sempre como norma na Igreja de Roma e hoje esta aceita excepções (no clero do Oriente e entre os anglicanos convertidos). Pode ser que a norma mude um dia, mas provavelmente ninguém melhor do que o actual Papa para avaliar se esse momento é chegado - até porque talvez ninguém, no seio da Igreja Católica, tenha dedicado tanta atenção ao tema dos abusos sexuais e feito mudar tanta coisa como Bento XVI.

Se algo choca na forma como têm vindo a ser noticiados estes "escândalos" é o modo como, incluindo no New York Times, se tem procurado atingir o Papa. Não tenho espaço, nem é relevante para esta discussão, para explicar as múltiplas deturpações e/ou omissões que têm permitido dirigir as setas das críticas contra Bento XVI, mas não posso deixar de recordar o que ele, primeiro como cardeal Ratzinger e prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, depois como sucessor de João Paulo II, já fez neste domínio.

Até ao final do século XX o Vaticano não tinha qualquer responsabilidade no julgamento e punição dos padres acusados de abusos sexuais (e não apenas de pedofilia). A partir de 2001, por influência de Ratzinger, o Papa João Paulo II assinou um decreto - Motu proprio Sacramentorum Sanctitatis Tutela - de acordo com o qual todos os casos detectados passaram a ter de ser comunicados à Congregação para a Doutrina da Fé. Ratzinger enfrentou então muitas oposições, pois passou a tratar de forma muito mais expedita casos que, de acordo com instruções datadas de 1962, exigiam processos muito morosos. A nova política da Congregação para a Doutrina da Fé passou a ser a de considerar que era mais importante agir rapidamente do que preservar os formalismos legais da Igreja, o que lhe permitiu encerrar administrativamente 60 por cento dos casos e adoptar uma linha de "tolerância zero".

Depois, mal foi eleito Papa, Bento XVI continuou a agir com rapidez e, entre as suas primeiras decisões, há que assinalar a tomada de medidas disciplinares contra dois altos responsáveis que, há décadas, as conseguiam iludir por terem "protectores" nas altas esferas do Vaticano. A seguir escolheu os Estados Unidos - um dos países onde os casos de abusos cometidos por padres haviam atingido maiores proporções - para uma das suas primeiras deslocações ao estrangeiro e, aí (tal como, depois, na Austrália), tornou-se no primeiro chefe da Igreja de Roma a receber pessoalmente vítimas de abusos sexuais. Nessa visita não evitou o tema e referiu-se-lhe cinco vezes nas suas diferentes orações e discursos.

Agora, na carta que escreveu aos cristãos irlandeses, não só não se limitou a pedir perdão, como definiu claramente o comportamento dos abusadores como "um crime" e não apenas como "um pecado", ao contrário do que alguns têm escrito por Portugal. Ao aceitar a resignação do máximo responsável pela Igreja da Irlanda também deu outro importante sinal: a dureza com que o antigo responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé passou a tratar os abusadores tem agora correspondência na dureza com que o Papa trata a hierarquia que não soube tratar do problema e pôr cobro aos crimes.

De facto - e este aspecto é muito importante - a ocorrência destes casos de abusos sexuais obriga à tomada de medidas pelos diferentes episcopados. Quando isso acontece, a situação muda radicalmente. Nos Estados Unidos, país onde primeiro se conheceu a dimensão do problema, a Conferência de Dallas de 2002 adoptou uma "Carta para a Protecção de Menores de Abuso Sexual" que levaria à expulsão de 700 padres. No Reino Unido, na sequência do Relatório Nolan (2001), acabou-se de vez com a prática de tratar estes assuntos apenas no interior da Igreja, passando a ser obrigatório dar deles conta às autoridades judiciais. A partir de então, como notava esta semana, no The Times, William Rees-Mogg, a Igreja de Inglaterra e de Gales "optou pela reforma, pela abertura e pela perseguição dos abusadores em vez de persistir no segredo, na ocultação e na transferência de paróquia dos incriminados".

Bento XVI, que não despertou para este problema nas últimas semanas, não deverá precipitar decisões por causa desta polémica. No passado domingo, durante as cerimónias do Domingo de Ramos, pediu aos crentes para não se deixarem intimidar pelos "murmúrios da opinião dominante", e é natural que o tenha feito: se a Igreja tivesse deixado que a sua vida bimilenar fosse guiada pelo sentido volátil dos ventos há muito que teria desaparecido.

Ao mesmo tempo, como assinalava John L. Allen, jornalista do National Catholic Reporter, em coluna de opinião no New York Times, "para todos os que conhecem a experiência recente do Vaticano nesta matéria, Bento XVI não é parte do problema, antes poderá ser boa parte da solução".

Uma demonstração disso mesmo pode ser encontrada na sua primeira encíclica, Deus Caritas Est, de 25 de Dezembro de 2005, ano em que foi eleito. Boa parte dela ocupa-se da reconciliação, digamos assim, entre as concepções de "eros", o termo grego para êxtase sexual, e de "ágape", a palavra que o cristianismo adoptou para designar o amor entre homem e mulher. Se, como referia António Marujo na sua análise, o teólogo Hans Küng considera que existe uma "relação crispada" entre catolicismo e sexualidade, essa encíclica, ao recuperar o valor do "eros", mostra que Bento XVI conhece o mundo que pisa.

Por isso eu, que nem sou crente, fui informar-me sobre os casos e sobre a doutrina e escrevi este texto que, nos dias inflamados que correm, se arrisca a atrair muita pedrada. Ela que venha.