26 março 2011

Caritas

Pira de J.Engling - Cambrai
"Love, it will not betray you,
dismay or enslave you,
it will set you Free!
be more like the Man you were made to be.

there is a design,
an alignment to cry, 
in my heart to see,
the beauty of Love as it was made to be."

Sigh no more - Mumford & Sons

Chamada: Os senhores que se seguem!

Como ouvi ontem alguém dizer, numa democracia mediática como a nossa, as características que jogam a favor de um político são a imagem, a resistência física e a resistência psicológica.

Tendo isto em conta, só por acaso é que nos calha na rifa um PM competente...
Sócrates não é o caso.

Vamos ouvindo por aí: "Agora é que vão ser elas!".
Pois vão. Mas, se tudo correr bem, vão ser elas sem ele!
Além disso, o que Sócrates foi fazer a Bruxelas foi, essencialmente, confirmar e pedir a intervenção externa.

Digo "se tudo correr bem" porque não é nada líquido que Sócrates não concorra novamente. E se o PSD ganhar, coligado ou não, poderá ter de negociar com um PS encabeçado pelo senhor "sempre-em-pé".

E é precisamente isso que nenhum  dos partidos aceita. É, talvez, o único ponto em que estão de acordo. Negociar com o PS com vista a uma unidade nacional que traga mais estabilidade: sim. Com Sócrates? Um redondo não.

Se Sócrates persistir, e é razoável que persista, também não quererá aceitar negociações com ninguém.
Não estamos, aliás, habituados a uma tão persistente voracidade de poder como a de Sócrates.
Até consegue fazer abrir secretarias ao domingo!
É razoável pensar que vamos ver o Sr. Sócrates por aí durante mais uns tempos.

Tudo isto num clima parlamentar e político altamente emocional, inflamado e onde a crispação é um constante arrepio.
Prova disso, segundo ouvi ontem alguém contar, foram as reacções em plena AR ao discurso de tomada de posse do PR: "Tenha vergonha!"; "Descaramento"; "Vamos mas é embora!" dito por uma deputada do PS levantando-se para sair; pancadas nas mesas que obrigaram o PR a ter de levantar a voz...

A situação é, de facto, muito grave.
E o mais provável é que vamos desembocar numa campanha eleitoral baseada em recriminações e vitimizações. E no meio do jogo político, perde-se o país, o interesse nacional e o sentido de Estado.
Coisas que o Sr. Sócrates dispara da boca para fora sempre que pode mas que, não sabe o que são e contribuiu como ninguém para as destruir.

Vamos lá ver se Passos Coelho não se revela um Sócrates laranja e se Paulo Portas não embadeira em arco, chegando das brumas qual D. Sebastião.

Os restantes farão a tradicional contra-corrente negativa que lhes é tão vital à sobrevivência...

Não percam os próximos episódios, porque nós, que remédio, também não!!!

[som de chamada]: "Senha 415, balcão 7 por favor..."

18 março 2011

Tsar Bomba ou o Inferno na Terra

Detonada a 30 de Outubro de 1961 pela ex-URSS, a Tsar Bomba foi a maior bomba nuclear alguma vez detonada.
O teste ocorreu no arquipélago Novaya Zemlya, em pleno oceano Ártico.

A resultante bola de fogo, com cerca de 8km de diâmetro, foi vista a mais de 1000km. A característica pluma de fumo, o "cogumelo", chegou aos 64km de altitude (quase sete vezes a altura do Monte Evereste) e na base tinha 40km de largura.

A aldeia de Severny, a 55km de distância, foi arrasada. Noutras zonas a centenas de km os edifícios mais frágeis foram derrubados pela onda de choque.

O calor da explosão poderia ter causado queimaduras do 3º grau a 100km de distância.

A onda de choque foi vista no céu a mais de 700km do local da detonação e há registos de janelas rachadas e parcialmente quebradas a 900km de distância e até na Noruega e na Finlândia.

O impacto sísmico da explosão (7,1 na escala de Richter), foi tal que foi possível registá-lo até na terceira volta que deu ao planeta.
A Tsar Bomba era um assustador colosso de 50 Mega-toneladas, equivalente a um cubo de TNT de 312m de aresta, aproximadamente da altura da Torre Eiffel.

Embora o seu tamanho excluísse o uso militar, é assombroso o potencial destrutivo que um dia foi posto à solta pela primeira vez no deserto americano e, uns meses depois, sobre Hiroshima e Nagasaki.
 
Para dar uma ideia da escala, basta ver a proporção da "potência da explosão" entre a Fat Man que explodiu em Nagasaki e a Tsar Bomba.
 
"Now I am become Death, the destroyer of worlds"
J. Robert Oppenheimer
 

11 março 2011

asterisco cardinal bomba caveira

Mais uma pérola da Nova Música Portuguesa


tá muita bom!

10 março 2011

Trinta anos e três covers. Há melodias que são para sempre...

1989

2011

E pelo que se conseguiu apurar, a versão de 1989 é também uma "cover" da canção "Chorando se foi" de Márcia Ferreira, que, advinhem só, também era uma "cover" da original (será??) de 1981 "Llorando se fue" (tava-se a ver), dos bolivianos Los Kjarkas.

Resta dizer que os Los Kjarkas ainda existem e que o antigo membro Edwin Castellanos foi eleito presidente da Câmara de Cochabamba em 2010.

Como eu gosto da Wikipedia...

09 março 2011


SAUDADES DE BUENOS AIRES...


8 grados punto 5...um muito bom blogue directo de Buenos Aires!

01 março 2011

"Bastas, Bestas e Bastinhas"

No próximo dia 12, ao que tudo indica, teremos uma manifestação em Lisboa que gritará em uníssono "BASTA!!!".
Mas esse uníssono esconde uma multiplicidade de posturas e razões quase tão grande como o número de manifestantes que se espera que apareçam. O protesto servirá, provavelmente, para trazer estes temas para a ordem do dia, o que é fundamental.

Porém, mais que isso (e por isso menos), vai ser um campo fértil para a demagogia cega e gratuita. É esse o tom que encontro na maioria dos representantes de associações académicas e juvenis que tenho ouvido.

Duvido que muitos saibam claramente porque é que vão. Ou que outros tantos tenham pensado a fundo nisso.

Na marcha do "Basta de andar à rasca!", vamos ouvir os BASTAS: os que denunciam os problemas e as causas, apresentam soluções e propõem-se pô-las em prática.

Na marcha do "Basta de andar à rasca!", vamos ouvir os BESTAS: os que acham que tudo lhes é devido; os que gritam que quem está bem é porque tem cunhas e apelidos; os que exigem que seja a vez deles de terem cunha e estar por dentro.

Na marcha do "Basta de andar à rasca!", vamos ouvir os BASTINHAS: os jograis espalhafatosos e pseudo-anarquistas que gritam basta de tudo e mais alguma coisa; os que usam t-shirts do Che sem saber quem é; os que acham imediatamente que "a culpa é do sistema" e dos "cotas" porque... e lá vai mais uma pedrada (nem sempre do passeio).

Porque me parece que os BASTAS estão nas mãos de hipócritas BESTAS e tontos BASTINHAS, este protesto será um joguete nas mãos de demagogos.

Não contem comigo.

As razões deste problema são muitas.
Para mim, duas das mais importantes e que ontem ouvi tão bem explicadas no Prós-e-Contras:

- Rigidez excessiva do mercado de trabalho;
- Inexistência de um mercado de arrendamento;

Não é na rua que isto se resolve.

Elogio aos Gagos.

João Pereira Coutinho
2011-02-21 Folha.com
http://www.folha.uol.com.br/

"Certo dia fiz uma viagem de trem entre Porto e Lisboa com Marc Shell. O ilustre Marc Shell é um escritor americano, professor em Harvard, e a conversa, durante três horas, é daquelas que dificilmente se esquecem. Falou-se de tudo: da vida e da morte. E de literatura, que faz a soma de ambas.
Um traço do cavalheiro, porém, causava-me estranheza: a forma como falava. As frases eram curtas. Pausadas. Como se houvesse ali um excesso de afetação ou vaidade.

Dias depois, ao folhear a revista "Spectator", encontrei a chave para o mistério: uma resenha ao último livro de Shell. O livro intitula-se "Stutter" e é uma mistura sagaz de autobiografia e estudo cultural sobre os dramas da gaguez.

Shell era gago. E a forma como falava, longe de ser uma exibição de pedantismo, era um mecanismo de sobrevivência. Cada. Frase. Era dita de um fôlego só. Para não haver derrapagens. Desconfortáveis.
Fiquei a pensar na conversa; a reavivá-la na memória; e apesar de nunca ter gaguejado, pelo menos oralmente (os meus detratores dirão que só gaguejo por escrito), imagino o que deve ser a vida de um gago. Cada frase é uma pequena ilha; e, entre as ilhas, um oceano imenso que é preciso cruzar sem afogamentos.

Lembrei-me de Shell e das suas ilhas quando assistia ao discurso do "Discurso do Rei": falo da alocução final e radiofônica em que George 6º, recriado com competência por Colin Firth, precisa de se dirigir à nação no momento em que a Inglaterra declarara guerra à Alemanha nazista. E, nas folhas do discurso, pequenos traços a marcar o ritmo da sinfonia. Como um compasso. Então George 6º/Colin Firth começa. Uma frase. Outra. Mais outra. E, no rosto dele, um esforço homérico. Como se discursar fosse uma maratona olímpica de desfecho incerto.

E talvez fosse. Em 1939, já não bastava a um rei não cair do cavalo, como lhe diz o pai, George 5º (o notável Michael Gambon). Era preciso que a voz de um rei fosse escutada pelo seu povo, sobretudo quando, do outro lado do Canal da Mancha, os totalitarismos que ensombravam a Europa também eram totalitarismos de agressividade verbal.

Mussolini ou Hitler discursavam com a cadência de metralhadoras. Era preciso responder a tamanhas baterias orais com, pelo menos, alguns disparos de canhão. Mas como, se o rei era gago? Mas como, se o premiê também?
Churchill tratou do assunto com a cadência teatral que o imortalizou - embora, como explica Christopher Hitchens em ensaio sobre o velho Winston, nem sempre a voz de Churchill era a voz de Churchill. Por vezes, era o ator Norman Shelley quem gravava as intervenções radiofônicas em seu nome, mimetizando a voz na perfeição.

E, em relação ao rei, a angústia foi aliviada com um terapeuta. Que o ensinou a pular de ilha em ilha sem cair no mar.

"O Discurso do Rei" não é um grande filme. Mas é, sobretudo, um filme exemplar sobre a mais rara das virtudes: a virtude da resiliência. Esse sentimento moral profundo de que existem deveres que não apenas são superiores a nós como exigem o melhor de nós."