28 junho 2016

Da nova do Fúria.

"É o teu rosto ainda que eu procuro
Através do terror e da distância
Para a reconstrução de um mundo puro."

Sophia de Mello Breyner Andresen

Haverá tempo. Eu vim para amar.


Passe a espuma pop, é golo. Dos bons.

"And in the cold light, I live to love and adore you
It's all that I am, it's all that I have"


31 maio 2016

Gente Ressuscitada.

No mundo há muita gente ressuscitada sem ter que esperar para depois da morte. Conheço muita gente: jovens que se dedicam a atenderem os inválidos; casais que são felizes com um filho deficiente; essa ceguinha que reparte a alegria no pavilhão dos cancerosos; missionários que consagram a sua vida ao próximo; jovens que neste verão, passaram as suas férias a cuidarem de um asilo de idosos; velhos sacerdotes que, tendo a merecida reforma, ainda continuam nessas perdidas freguesias que ninguém quer. Gente, muita gente ressuscitada...

E acostumámo-nos a pensar que a ressurreição é uma coisa que se alcança do lado de lá da morte. E ninguém pensa que a ressurreição é simplesmente entrar em “mais” vida. Que a ressurreição é algo que Deus dá a quem lho pede, sempre que, depois de pedir, continue a lutar por ressuscitar cada dia.

A ressurreição é, com Bessiere, “um fogo que nada ou ninguém pode apagar”. Nada ou ninguém – claro – excepto a nossa própria mediocridade ou desinteresse.

Os ressuscitados são os que têm “mais vida”, “vida” que contagia, que demonstra que todo o homem se ultrapassa a si mesmo e que é mais forte que a morte!!!

E tu, também, és ou podes ser uma pessoa ressuscitada! A morte, é claro, vai-nos cortando ramos todas as noites, mutila ilusões e esperanças, que te foram cortadas à noite…

Como fazer? Simples! Levanta-te; levanta-te convencido de que o fazes para viver e não para vegetar! Olha-te, depois no espelho…sorri! Descobre que quando sorris ficas mais bonito ou bonita; e agora pergunta-te em quê ou em quem vais investir esse sorriso e esse dia que te acaba de ser oferecido! Recorda-te que quando Jesus ressuscitou não o fez para ficar com um corpo brilhante, mas para ajudar os seus que estavam a passar por muitos apertos, atrapalhados com o medo da morte.

Dedica-te, portanto, a repartir ressurreição! E verás que os outros se sentem melhor depois de falarem contigo...


Texto adaptado de Razões para viver, de M. L. Descalzo

05 maio 2016

Regina.


"Maria deve ser, mais do que nunca, a pedagogia para anunciar o Evangelho aos homens de hoje."

Papa Bento XVI


19 abril 2016

Costa é óptimo. E isso é péssimo.

por João Miguel Tavares
Público | 19.04.2016

"Sendo António Costa um mestre do improviso sem especial talento para o planeamento e um político que reage bem melhor do que age, ele é um homem com qualidades para o tempo errado."

Sempre admirei o talento político de António Costa. Escrevi em tempos que ele e Pedro Passos Coelho eram os melhores políticos da sua geração e não mudei de opinião até agora, mesmo que nestes tempos extremados cada lado tenha tendência para ver no outro a encarnação de Belzebu. Se erguermos a cabeça um pouco acima da espuma dos dias e abandonarmos por um momento o facciosismo mais trauliteiro, facilmente nos deparamos com um conjunto de características que ambos ostentam (persistência, resistência, sangue frio, determinação, carisma, capacidade de liderança) que são bem mais raras do que parecem.

Mesmo de uma perspectiva de direita, que é a minha, é impossível olhar para António Costa e não admirar o seu engenho e as suas capacidades políticas, bem demonstradas no trabalho em Lisboa, na forma como defenestrou António José Seguro e liderou as negociações pós-legislativas para assaltar o poder, na solidez que uma coligação colada a cuspo tem, apesar de tudo, vindo a demonstrar, ou simplesmente no modo como apontou a porta de saída a João Soares, aplicando-lhe para tal um raspanete dos tempos da palmatória. António Costa é bom. Mais do que bom, ele é óptimo – e é por ser óptimo que a sua governação corre o risco de vir a ser péssima para o país.

A razão é esta: quando se está errado, é muito mais grave ser-se competente do que incompetente. Um político competente com uma visão totalmente equivocada pode enterrar-nos muito fundo, e temo cada vez mais que António Costa seja esse tipo de político. Ele é um líder de mão cheia, só que as suas ideias para o país são péssimas; tem todas as qualidade políticas certas, só que ao serviço de uma estratégia de keynesianismo de casino (gastar o dinheiro que não temos cruzando os dedos para que saia jackpot) que só pode correr mal, porque ainda há diferenças entre um bom político e um santo milagreiro. Costa é como aqueles jogadores de futebol que inventam fintas incríveis dentro de uma cabina telefónica mas quando chega a altura de rematar à baliza fazem autogolo. Costa é o recordista mundial dos 100 metros a correr para trás.

Os números que reflectem a era deste regoverno começam aos poucos a pingar, e com eles uma revisão do crescimento em baixa que coloca em causa todas as contas de Centeno e todo o paleio anti-austeritário de Costa. Por mais que o primeiro-ministro se esforce por fintar toda a gente, dificilmente conseguirá fintar a realidade, essa palavra tão vilipendiada por quem prefere viver num mundo de ficção.

Ora, sendo António Costa um mestre do improviso sem especial talento para o planeamento e um político que reage bem melhor do que age, ele é um homem com qualidades para o tempo errado. O primeiro-ministro poderia ser um óptimo líder para Portugal se o momento histórico que vivêssemos fosse dado à gestão de acontecimentos totalmente inesperados, onde a capacidade para arriscar e a criatividade política fossem grandes mais-valias. Só que não é esse o nosso presente. Aquilo de que precisamos desesperadamente é de assentar num rumo firme, sustentável e previsível para os próximos dez anos e numa profunda mudança de mentalidades. Pôr essa tarefa nas mãos de um jogador de casino é um risco imenso para Portugal. E, no entanto, ele aí está, a subir nas sondagens. Preparemo-nos: António Costa pode vir a revelar-se demasiado bom para o nosso bem."