17 dezembro 2013
16 dezembro 2013
A Narrativa do Medo.
Acontecia sempre da mesma maneira. Depois de se dar a conhecer, começava
lentamente a fazer-se parte das suas vidas. O primeiro encontro era normalmente
casual. O trabalho a seguir era uma coisa subtil, laboriosa e paciente, e variava
no tempo ao tempo do compasso dessa dança que é construir pontes entre pessoas.
Depois chegava o dia em que as convidava para um fim-de-semana no monte que
tinha, com a desculpa de ser uma escapadela das correrias e dificuldades. Era
uma herança de família, na Serra Algarvia e chamava-se Monte das Almas. Das 25 que
lá foram nenhuma chegou a voltar.
Primeiro adormecia-as no último
dia com o vinho em que tinha deitado o químico – normalmente tranquilizantes de
uso veterinário. Depois as vítimas acordavam deitadas na cama, num dos quartos
da casa, e à cabeceira da cama, dizia-lhes que estava tudo bem, que
descansassem, que tinham desmaiado. A seguir saía do quarto. Por nunca mais
voltar, as vítimas tentavam levantar-se para sair e descobriam uma porta
trancada, uma janela trancada e, por fim, o silêncio do outro lado quando gritavam
para lhes abrirem a porta. A certa altura descobriam que o vidro da janela era
inquebrável, que a cama estava aparafusada ao chão e que não se conseguia
desmontar, que eram de facto prisioneiras.
Ao terceiro dia entrava num
repente pelo quarto, disparava o taser
e espancava as vítimas até as deixar no limiar da consciência para depois as
atar a uma cadeira e continuar a tortura. O quarto dia era de absoluta
inactividade. Era para lhes dar tempo para curarem as feridas com o estojo de
primeiros-socorros que deixava em cima da mesa-de-cabeceira quando acabava o
tormento. Chamava-lhe o Estojo do Quarto Dia. O nome não tinha nada de
original. A criatividade guardava-a toda para as suas predações. Ao quinto
começava outra vez. Matava normalmente ao fim de um mês.
A Andreia entrou um dia no posto
da GNR mais próximo e disse que se queria entregar. Tinha 35 anos e estava
coberta de sangue. Ligaram para a Judiciária e foi quando a conheci. Nunca
recebi um depoimento tão sombriamente sereno e lúcido. Primeiro senti
apreensão, depois suores frios, depois a sala escureceu um pouco. Cresceu em
mim enquanto ela narrava todos os “petiscos”, lenta mas inexoravelmente, o mais
absoluto pavor. Tinha diante de mim o próprio Medo.
12 dezembro 2013
11 dezembro 2013
Porquê black-tie aqui e white-tie, ali?
...Manoel de Oliveira responde, pela boca de Luís Miguel Cintra:
"[...] Na maneira de vestir sabe muito bem como é que deve ir a um cocktail, como é que se deve ir a uma cerimónia oficial, tudo isso ele sabe e não é só por uma questão de antigamente ser assim, é uma questão de respeito perante aquilo que significa a construção da sociedade. [...]"
05 dezembro 2013
03 dezembro 2013
28 novembro 2013
E não façais caso desta cultura do provisório.
Papa Francisco
audiência na praça de S.Pedro.
2. A segunda palavra, tomo-a do rito do Matrimónio. Neste sacramento, quem se casa diz: «Prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida». Naquele momento, os esposos não sabem o que vai acontecer, não sabem quais são as alegrias e as tristezas que os esperam. Partem, como Abraão; põem-se juntos a caminho. E isto é o matrimónio! Partir e caminhar juntos, de mãos dadas, entregando-se na mão grande do Senhor. De mãos dadas, sempre e por toda a vida. E não façais caso desta cultura do provisório, que nos põe a vida em pedaços.
Com esta confiança na fidelidade de Deus, tudo se enfrenta, sem medo, com responsabilidade. Os esposos cristãos não são ingénuos, conhecem os problemas e os perigos da vida. Mas não têm medo de assumir a própria responsabilidade, diante de Deus e da sociedade. Sem fugir nem isolar-se, sem renunciar à missão de formar uma família e trazer ao mundo filhos. - Mas hoje, Padre, é difícil… - Sem dúvida que é difícil! Por isso, é precisa a graça, a graça que nos dá o sacramento! Os sacramentos não servem para decorar a vida – mas que lindo matrimónio, que linda cerimónia, que linda festa!... Mas aquilo não é o sacramento, aquela não é a graça do sacramento. Aquela é uma decoração! E a graça não é para decorar a vida, é para nos fazer fortes na vida, para nos fazer corajosos, para podermos seguir em frente! Sem nos isolarmos, sempre juntos. Os cristãos casam-se sacramentalmente, porque estão cientes de precisarem do sacramento! Precisam dele para viver unidos entre si e cumprir a missão de pais. «Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença». Assim dizem os esposos no sacramento e, no seu Matrimónio, rezam juntos e com a comunidade, porquê? Porque é costume fazer assim? Não! Fazem-no, porque lhes serve para a longa viagem que devem fazer juntos: uma longa viagem, que não é feita de pedaços, dura a vida inteira! E precisam da ajuda de Jesus, para caminharem juntos com confiança, acolherem-se um ao outro cada dia e perdoarem-se cada dia. E isto é importante! Nas famílias, saber-se perdoar, porque todos nós temos defeitos, todos! Por vezes fazemos coisas que não são boas e fazemos mal aos outros. Tenhamos a coragem de pedir desculpa, quando erramos em família… Algumas semanas atrás, nesta praça, disse que, para levar por diante uma família, é necessário usar três palavras. Três palavras: com licença, obrigado, desculpa. Três palavras-chave! Peçamos licença para não ser invasivos em família. «Posso fazer isto? Gostas que faça isto?» Com a linguagem de quem pede licença. Digamos obrigado, obrigado pelo amor! Mas diz-me: Quantas vezes ao dia dizes obrigado à tua esposa, e tu ao teu marido? Quantos dias passam sem eu dizer esta palavra: obrigado! E a última: desculpa. Todos erramos e às vezes alguém fica ofendido na família e no casal, e algumas vezes – digo eu – voam os pratos, dizem-se palavras duras… Mas ouvi este conselho: Não acabeis o dia sem fazer a paz. A paz faz-se de novo cada dia em família! «Desculpai-me»…, e assim se recomeça de novo. Com licença, obrigado, desculpa! Podemos dizê-lo juntos? (respondem: Sim!). Com licença, obrigado, desculpa! Pratiquemos estas três palavras em família. Perdoar-se cada dia!
Na vida, a família experimenta muitos momentos felizes: o descanso, a refeição juntos, o passeio até ao parque ou pelos campos, a visita aos avós, a visita a uma pessoa doente... Mas, se falta o amor, falta a alegria, falta a festa; ora o amor é sempre Jesus quem no-lo dá: Ele é a fonte inesgotável. Ele, no sacramento, dá-nos a sua Palavra e dá-nos o Pão da vida, para que a nossa alegria seja completa."
20 novembro 2013
15 novembro 2013
Das coisas grandes.
"Não é à força de escrúpulos que um homem se torna grande. A grandeza chega, se Deus quiser, como um lindo dia."
Albert Camus
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