07 maio 2013

Bicho Carpinteiro.


Jake Bugg.
Nome que se diz em quase duas sílabas. Tenso e directo. Das letras à música, à sonoridade toda e à figura, Jake Bugg é guitarra e coisas para dizer. Tout court. Começou a tocar aos doze anos e lançou o primeiro albúm que aterrou no primeiro lugar das tabelas inglesas em Outubro do ano passado. Já tocou em Glastonbury, já deu música a anúncios, passa nas rádios inglesas, está na calha para um Brit Award da categoria British Breaktrough Act e já foi ao Conan. Tem 19 anos.


Lightning Bolt entranha-se. Abre com três acordes de rajada que nos deixam logo a bater o pé ao ritmo da expectativa e a cada quarto verso o menino Bugg repete uma e outra vez que de repente veio um raio que lhe acertou em cheio; que disso lhe ficou uma incapacidade de não ser o que lhe dizem as entranhas que tem de ser, até ao limite. Quer o vinho, não lhe chega água. Nesta música, Bugg não se encosta. Não consegue. A vida não pára e ele não vai ficar para trás.

Devíamos ser assim: permanentemente aturdidos pelo impacto de um raio que desperta a alma e a inteligência e a vontade e mais tudo o resto. Devíamos estar a zarpar e a voar e a remar em vez de ir andando de coisa em coisa, cheios de cuidado para não cair. Que nojo de gente que somos, que nem a verdade nos acorda. Aparência e pertencer valem mais que sangue nas veias até morrer.

Eu quero preferir as cantigas do menino Bugg que nos canta isto tudo com uma espécie de frenezim eléctrico metido no sangue, a sair aos acordes e na voz áspera. O Jake Bugg é bicho-carpinteiro. E isso tá muita bom.

23 abril 2013

22 abril 2013

Equidades e Falácias

Isto é que desigualdade: desempregados da função pública são apenas 1,9% do total

por Henrique Raposo
no Expresso Online


"As falácias do Tribunal Constitucional (TC) não se esquecem. Faz sentido, sim senhor, falar na "falta de equidade" entre trabalhadores dos sectores privados e a função pública. Mas o sentido da "falta de equidade" não é aquele que foi dado pelos juízes. Porque é que a ADSE tem sido um privilégio da função pública? Ou seja, por que razão a melhor parte do SNS pertence somente a um grupo da população? Por que razão uma parte da população está protegida do desemprego? Por que razão um funcionário público entra no "quadro de excedentes" quando a sua repartição é fechada ou requalificada? Por que razão este funcionário público excedentário tem esta rede inexistente na vida da restante população? Perante estes factos que mostram a intrínseca desigualdade da sociedade, como é que os juízes podem dizer o esforço de consolidação está a cair em demasia no colo da função pública? Convém recordar as almas do Ratton que o coração da consolidação em curso está nas falências e no consequente desemprego de muitos sectores privados. Pela contas de Paulo Trigo Pereira (entrevista Sol), tínhamos 700 mil desempregados registados no continente (Fevereiro). Deste conjunto, apenas 1,9% tinha origem na função pública. 98.1% do desemprego é oriundo dos sectores privados. Por outras palavras, não existe qualquer equidade à partida entre funcionalismo público e trabalhadores privados. É por isso que esta vitimização constitucional dos funcionários públicos chega a ser ofensiva para quem perdeu tudo nos últimos anos. Perder 20% do poder de compra é mau? Experimentem perder tudo. Experimentem perder uma vida num par de meses. Pois, já sei, esta dor é inconstitucional para certas partes da população."


Amarante won't back down, Petty style.