04 março 2013

António Borges dixit.

Disse o António Borges ao Dinheiro Vivo que na última década não se investiu, esbanjou-se dinheiro. Em infraestruturas, principalmente. Isto em resposta à quebra de 50% no investimento que o jornalista realçou. De facto, indicadores e rácios de acompanhamento de históricos não passam de números numa tabela, por muito apurados e fiáveis que sejam. É preciso ver o que está por trás. Investir não é só gastar dinheiro numa coisa. Investimento pressupõem retorno. Não é um eufemismo para gastar dinheiro. É uma aposta hoje para ganhar amanhã.

Só que nós precisávamos de ter mais autoestradas... É isso que eles não percebem. A possibilidade de escolher entre três alternativas para fazer 300km que não devem distar mais de 100km umas das outras era um sinal claro de que éramos desenvolvidos e ricos... não era?



Bom... isso e certas e determinadas organizações precisarem de certos e determinados resultados. Mas isso são outros quinhentos.

01 março 2013

"O que é que este terramoto provocou em nós?"


por Matilde Torres Pereira,

No dia em que Bento XVI se despediu dos fiéis, os jovens que acompanharam a sua vinda a Portugal em 2010 voltaram a encontrar-se, agora numa igreja de Lisboa. À saída, cada um recebeu um cartão com o nome de um dos cardeais do conclave, que inclui uma oração especial.

"São 19h00 em Portugal, 20h00 em Roma, e, a partir deste momento, a Igreja entrou em Sede Vacante." Foi uma voz grave que ressoou dos altifalantes montados à porta da Igreja da São Domingos, em Lisboa, a chamar a multidão que se juntou à porta para a missa de agradecimento a Bento XVI, agora Papa Emérito. Passadas as faixas azuis penduradas à entrada, a visão é a de uma igreja que parece agora tão pequena quando é na realidade muito grande, porque há mais de duas mil vozes a dizer "obrigado".
No dia em que Bento XVI deu a derradeira bênção nas varandas de Castel Gandolfo, os jovens que o acompanharam na sua vinda a Portugal em 2010 voltaram a encontrar-se para lembrar o pontificado que agora termina. Miguel Machado, da organização, explica que vêm de vários movimentos e sectores diferentes - "são pessoas mais conservadoras, mais progressistas, que querem coisas mais malucas ou mais sérias" - e que pretendem "apagar-se" para ficarem unidos perante o Papa.
A celebração começou com a projecção de um vídeo em dois ecrãs gigantes montados em cada um dos lados do altar, um filme com momentos da passagem do Papa por Portugal, da sua missa no Terreiro do Paço e a lembrar a força dos 11 mil jovens que caminharam nesse dia pela Avenida da Liberdade ao encontro de Bento XVI. No final do vídeo, sobe ao ambão um rapaz, que diz simplesmente "estamos aqui para agradecer ao Papa, não é mais que isto".
Seguiu-se a missa, sempre com pessoas a chegar, sentadas nos bancos, no chão, em pé, e cada vez de idades mais variadas. Mais perto da porta, juntaram-se pessoas mais velhas, casais e até curiosos que se deixaram ficar.
"A notícia da resignação apanhou-nos a todos de surpresa, de alguma maneira estremeceu-nos, acordou-nos. O que é que este terramoto provocou em nós?", perguntou à congregação o padre Diogo Barata, um dos muitos alinhados no altar. "Em primeiro lugar, uma onda espontânea de agradecimento, com o coração", prossegui o sacerdote. Depois, o padre lembrou os milhares que estiveram com Bento XVI no Terreiro do Paço e lançou o desafio: "Um por cento de 11 mil são 1.100. Um por cento de 1.100 são 110. O que aconteceria se 110 de vocês fossem santos?".
O padre Diogo Barata deixou mais algumas ideias aos jovens, lembrou o pontificado de Bento XVI e terminou com o mote do movimento, exibido num enorme estandarte pendurado do coro da igreja: "Eu acredito. E quem acredita em Deus nunca está só".
A música começou a ecoar na missa. Foram precisos dez pontos diferentes para dar a comunhão. No final, ouviu-se um pedido feito por um dos presentes. "Queremos juntar-nos quando for o 'habemus papam', só não sabemos bem como. Façam por estar atentos às redes sociais."
Centenas de pessoas deixaram então a igreja, mas outros ficaram em oração pelo Papa Emérito e pelo conclave. À saída, cada um recebeu um cartão azul com o nome de um dos cardeais que vai participar no conclave, com uma prece ao Espírito Santo pela "assistência aos que têm a missão de eleger o sucessor de Pedro".
"Tudo o que rompe e abre janelas é óptimo"
No exterior da Igreja, o coração de alguns abriu-se. "Bento XVI foi um Papa exemplar, um Papa de todos nós. Foi um pontificado numa altura difícil, principalmente nestes últimos anos, e acho que o seu trabalho, mesmo já numa altura debilitada, foi óptimo", considera Guilherme, um estudante de 22 anos.
Para José Spínola, um seminarista de 28 anos, a resignação foi inspiradora. "Foi um Papa que marcou muito, principalmente agora o pedido de resignação dele. Primeiro, porque não é o habitual, mas principalmente destaco o facto de um homem como o Papa, intelectual como é, ir para um mosteiro viver e dedicar o resto da vida à oração e reflexão. Acho isso muito bonito, é de louvar e dizer 'bendito seja Deus'."
Já Íris, uma decoradora de 49 anos, comoveu-se com a juventude que foi homenagear Bento XVI. "Esta alegria, este entusiasmo… Vermos os jovens dar este apoio lindo é contagiante e é impossível não estar aqui", começa por dizer.
"Vamos orar para que o Espírito Santo ilumine o próximo Papa e que esteja pronto para esta missão que não é fácil. Vemos agora Bento XVI tão cansado e triste… Foi lindo o que ele fez. Ele teve coragem e isso para mim bastou. Uma atitude digna, louvável. Eu estou com ele", conclui.
Para Miguel Machado, da organização, a resignação mexe com a Igreja. "Tudo o que rompe e abre janelas novas na Igreja é óptimo e o que este Papa está a fazer é um sinal para um mundo."

E o que fica deste encontro que juntou tanta gente? Miguel Machado responde. "Fica uma grande esperança no futuro, na Igreja jovem, que anda de 't-shirt', e isso é bonito."

24 fevereiro 2013

Oscar's 85th.


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22 fevereiro 2013

Gozar com a fé Cristã - uma modernice com 170 anos.


por Henrique Raposo
no expresso, 22.02.2013


Quando surge na agenda um tema relacionado com a Igreja, o engraçadismo anti-cristão vem logo ao de cima e acaba por dominar a atmosfera das conversas e debates. Estou a falar daquele gozo permanente em relação ao Papa e cristianismo, em relação à própria fé. Não, não estou a falar de críticas e perguntas sérias e sólidas. Isso seria outra conversa, conversa com nível. Estou a falar do gozo fácil, do nariz empinado que nem sequer admite diálogo com o crente, estou a falar da piadola que se julga moderna. Mas será assim tão moderna? Em 1843, Kierkegaard iniciou o seu Temor e Tremor com esta irónica arrancada: "ninguém hoje se detém na fé (...) passarei, sem dúvida, por néscio se me ocorrer perguntar para onde por tal rumo se caminha". Ou seja, o nosso ar do tempo é uma velharia com, pelo menos, 170 anos. A crença na transcendência é um saco de boxe para a gozação cínica há mais de século e meio.
Moral da história? Os nossos modernaços, que gostam de transformar a fé num sinónimo de idiotice, não têm nada de moderno. São sucateiros de um ferro-velho mental.


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/gozar-com-a-fe-crista-uma-modernice-com-170-anos

21 fevereiro 2013

O fascismo do Grândola Vila Morena.


por Henrique Raposo
Expresso, 21.02.2013

Sophia de Mello Breyner cunhou uma expressão engraçada para classificar as tácticas inquisitoriais dos companheiros de estrada do PCP: o "fascismo do anti-fascismo" . Esta intolerância de esquerda foi criada antes do 25 de Abril e, como é óbvio, conheceu o seu esplendor no PREC. Mas, volta e meia, a agressividade dos virtuosos reemerge. Nos últimos dias, por exemplo, têm caído alguns pinguinhos: meninos e meninas têm usado "Grândola Vila Morena" como forma de calar outras pessoas. Uma música criada para promover a liberdade de expressão foi assim transformada numa arma contra a liberdade de expressão.

Os novos cantadeiros do "Grândola Vila Morena" dizem que são anti-fascistas. Bom, sobre isso nada sei, mas sei que são bons aprendizes de fascistas. Têm todas as sementes do bicho. Em primeiro lugar, revelam uma total intolerância em relação ao outro lado; há que malhar na "direita" (assim mesmo: a "direita", um bloco compacto, monolítico, desumanizado, desprezível e espezinhável). Em segundo lugar, respiram e transpiram ódio, um ódio que escorre pelos cartazes, pelos rostos, pelas vozes. E, de forma mui fascista, esta malta tem orgulho nesse ódio. Aquilo que os define é o amor que têm pelo seu ódio, adoram odiar a "direita" ou seja lá o que for. Esta elevação do ódio à categoria de virtude é a marca do fascista, seja ele castanho ou vermelho. Em terceiro lugar, temos a consequência lógica das duas premissas anteriores: o culto da violência. Se a "direita" é espezinhável, se não vale a pena ouvir o outro lado, se o ódio é uma virtude que confere uma legitimidade superior, então a violência é legítima e não faz mal dar uns carolos no Relvas. Aliás, só faz bem dar uns tabefes no Relvas.

Para terminar, só queria dizer que gosto bastante deste PREC cantado. É que assim já não tenho de recorrer à história para explicar a profunda intolerância das extremas-esquerdas portuguesas . Agora basta-me apontar para o presente. Ela, a intolerância progressista e revolucionária, está aí, anda por aí. Até peço uma coisa: aumentem o volume da violência, continuem a mostrar que não sabem viver em democracia, que não sabem aceitar opiniões contrárias, continuem a ameaçar, continuem a ser fascistazinhos de vão de escada.

What kind of Pope should we elect?

Mais um golo do Catholic Memes. É bom não esquecer o papel do Espírito Santo. Se não houver espaço para o Espírito Santo, tudo se torna uma farsa irrelevante.


Defining Like a Boss - Francis L. Sampson.

Father (Major General) Francis L. Sampson, USA (February 29, 1912 – January 28, 1996) was a roman catholic priest from Archdiocese for the Military Services and an American Army officer who served as the 12th Chief of Chaplains of the United States Army from 1967 to 1971. Notably, his real life story of his rescuing a young soldier became the inspiration for the film Saving Private Ryan.

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Teremos sempre a TVI.


Esteve a dar a gala da TVI.
Dizia o José Alberto Carvalho que não saberemos como será o futuro mas que continuará a ser preciso ter quem dê as notícias, o enquadramento e a interpretação.
É reconfortante saber que em 2033 poderemos continuar a contar com a TVI para nos dar o ponto de vista... da TVI. Notícias que é bom, é melhor bater a outra porta.

Acho que é isto que eles chamam jornalismo irreverente.


Agradecíamos que dessem só as notícias e um enquadramento quanto baste. O resto fazíamos nós! Que tal?