15 novembro 2012

dos piquetes de greve. (outra vez).


"Regressando do médico, entrámos num daqueles restaurantes populares que abastecem Lisboa à hora de almoço. Como o jogo de futsal já estava na TV, só tivemos de pedir jaquinzinhos e vinho. Entretanto, as mesas do restaurante ficaram repletas de povo. Deve ter sido por isso que um piquete de greve resolveu entrar pelo restaurante adentro aos berros, gesticulando e com cara de mau. Sabem qual é o efeito de um megafone dentro de quatro paredes? Não é bonito, é como ter os No Name Boys a fazer uma serenata mesmo junto aos tímpanos. Não, não foi bonito assistir à agressividade daquele piquete de greve. Cinco ou seis raparigas (entre os 20 e o 30) com os olhos embaciados pelo ódio do PCP começaram a insultar os empregados e clientes do restaurante. Naqueles dois minutos, a vanguarda do "Povo" nunca escondeu o ódio por aqueles que não tinham aderido à greve, nunca escondeu a raiva contra aqueles que não estavam nem aí para a sua jornada de luta. Ou seja, as meninas fizeram questão de mostrar o desrespeito que sentem pelas pessoas que pensam de outra forma. Na TV e nos jornais, os grevistas falam muito do "Povo", mas aquele piquete em concreto só conseguiu trocar palavras azedas com um povo em concreto, e a sua má-educação e arrogância acabaram escorraçadas por pessoas concretas. O concreto é lixado.

Às vezes, invento homens e mulheres de palha. Não é necessário."

Encontrado primeiro no Complexidade e Contradição.
Mais sobre os piquetes de greve aqui.

ferrari amarelo.


Brincar à Grécia.

Ontem aconteceu uma coisa esquisita, mais ou menos parecida com comprar t-shirts do Che, boinas do Mao e fumar ganzas em tertúlias pseudo-culturais mas, desta vez com pedras, caras disfarçadas e um bocado mais de rebuliço. Depois a PSP decidiu acabar com a festa porque já chegava de parque-infantil.

O resultado disto é que para chegar a casa, eu e tantos outros atravessámos uma espécie de exposição de rua intiludada Traços da Revolução em Curso ou qualquer coisa assim: caixotes e ecopontos queimados, os habituais símbolos dos porcos capitalistas vandalizados, cacos de garrafas partidas, calçadas descarnadas e postes no chão.

Não posso deixar de agradecer à vanguarda pela sua defesa dos meus interesses, pela sua batalha pela minha liberdade. Acho que os funcionários da Carris que tiveram de ir limpar os carris do eléctrico que estavam cheios de plástico derretido às tantas da noite também vos querem agradecer muito. Ó se querem!

Viva o amanhecer anarca! Fuck the system man!

PS: Queria só pedir aos arruaceiros estrangeiros que participam dessa diáspora da tribo da revolução, que fossem atirar pedras e partir janelas para a terra deles.

PS2: Ontem também aconteceu uma manifestação da CGTP. Segundo o secretário Arménio Carlos, foi uma das maiores de sempre, aliás, como todas as outras.

13 novembro 2012

da Liberdade e outros monopólios.

"[...]
Eu disse que ambos o fizeram com evidente sucesso e só agora reparo que esta frase é um pleonasmo. Bastaria ter dito: ambos o fizeram. Porque Loff e os compagnons de route podiam ter escrito uma História de Portugal alternativa, mas não o fizeram. Preferiram atacar Rui Ramos em dois mil caracteres. E os críticos de Isabel Jonet podiam fundar uma organização de solidariedade politicamente correcta, mas não o fizeram. Preferiram uma petição na internet.

Talvez não se possa pedir mais aos pigmeus da indignação, mas Rui Ramos e Isabel Jonet merecem um agradecimento: alargaram o nosso espaço de liberdade. Nem a história nem a cidadania têm donos. Embora alguns pensem que sim."

Pedro Picoito, no Declínio e Queda.

Delícias no Contra Mundum.

"A tax is a terrible hairy liberal monster with big teeth!
The only thing that can stop the terrible tax monster is a republican.
Who wants to be a republican?"

Keaton na série Family Ties, no Contra Mundum.

11 novembro 2012

Devíamos aprender com estes senhores a guardar memória.




In Flanders fields the poppies blow
Between the crosses, row on row,
That mark our place; and in the sky
The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.

We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
Loved and were loved, and now we lie
In Flanders fields.

Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
The torch; be yours to hold it high.
If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
In Flanders fields.

John McRae (1919)