22 março 2012

nunca como hoje, faz esta música tanto sentido.
"ya esta en el aire girando mi moneda.
y que sea lo que sea!"

20 março 2012

teacher turned rockstar

http://www.iguessimfloating.net 
Vampire Weekend frontman Ezra Koenig's students recall playing pranks on the future rock star 

What does Vampire Weekend frontman Ezra Koenig have in common with Sting and Gene Simmons? It's definitely not a shared sense of style. But like Sting and Simmons, the cardigan-and-Top-Sider-sporting 23-year-old spent a year as the antithesis of the flashy, rule-breaking rock star: a teacher. 

Before belting out tunes like "Oxford Comma" and "A Punk" in front of sold-out crowds and landing on the cover of Spin — along with bassist Chris Baio, keyboardist Rostam Batmanglij and drummer Chris Tomson — Koenig was juggling band practice and performances with a day job as an eighth-grade teacher at Junior High School 258 in Brooklyn, New York. 

"It was a pretty hectic lifestyle," Koenig said. "I mean, [being a full-time musician] is a hectic lifestyle too, but to teach all day, then go record or try to, you know, play a show, and then wake up and go to work again was pretty difficult." 

Koenig's students didn't make life any easier for the recent Columbia University grad, who landed the job in the rough school through Teach for America. Upon first glance at Koenig's boat shoes, members of his English class knew their new teacher would be the butt of jokes and the victim of pranks, recalls Koenig's former student, 15-year-old Quraan Jones.

"We would call him Peter Pan, Spider-Man, Ashton Kutcher, every name in the book," Jones laughed. The students were surprised that the man standing before them not only ditched the quintessential teacher wardrobe, but also looked young enough to be in a class with them.

"I couldn't believe he was my teacher, because it looked like he just got out of high school," said Isaiah White, 15, another former student.

Despite the students' countless attempts to push Koenig's buttons, Jones says that for the most part, he was a "laid-back" teacher who formed bonds with students and managed to win the class over by the end of the year. He even shared some well-guarded secrets with a chosen few.

"Towards the end of the year, I would stay after class with him, and we spoke and he told me, 'Oh, I'm like 23. Don't tell anybody!' " said Jones.

Along with concealing his age, Koenig also tried his best to prevent the class from finding out that he was a member of a band that was already beginning to generate buzz online.

"I guess there were a few times where I had to bring a guitar to school, so even just the fact that I played guitar impressed some of the kids," Koenig said. "And then from there, I guess, you know with Googling and stuff, some of the kids found [the band's MySpace page]."

But Jones doesn't remember the class' reaction to Koenig's guitar-strumming in quite the same way.

"He would bring [his guitar] from time to time and practice in class, and then we would be like, 'You're wack!' and then play jokes on him," Jones recalled.

During one of their hangout sessions after school, Koenig finally came clean to Jones about his rock-and-roll dreams.

The few students who knew about Koenig's other life couldn't picture him anywhere else but in a classroom and doubted that the same teacher they played tricks on would ever find fame.

"When I first saw him on MTV, I was really shocked and surprised," said White. "I couldn't believe it was him."

But maybe all of the paper-ball fights, gum on his chair and objects thrown at his hair prepared Koenig for equally unforgiving rock-club audiences. Eventually, Koenig's students also became his fans, posting comments of support and encouragement on the band's MySpace page. Thanks to a special invite by their onetime teacher, Jones and White even attended a Vampire Weekend concert.

"One day, he called me and told me, 'Oh, I'm going to have a show. Come here,' " Jones said. "So when I came, I listened to his music, and I thought it was good."

In the fall of 2007, a deal with XL Records cut short Koenig's teaching career. But despite the fact that Vampire Weekend were a featured artist on MTV, made the Billboard top 20 and appeared on "Saturday Night Live," Koenig's students refuse to see their former teacher as Ezra, the rock star.

"I still see him as the same Mr. Koenig," Jones said. "I still have that thing in my mind that this is the same man we threw paper at, wrote on his shirt and put gum on his chair."

Amo a humanidade (e mato recém-nascidos nos intervalos)

por Henrique Raposo

Adoro aquela personagem que ama a Humanidade enquanto despreza todos os homens em concreto. Adoro encontrar este figurão nos livros e na vidinha. Adoro a maneira como enche a boca com o Bem Comum enquanto olha com rancor para as pessoas em seu redor. Aqui no bairro, há um assim. Está sempre no café a perorar sobre Justiça Social e não sei quê, mas depois é incapaz de ajudar seja quem for. Até pinga, aquele desdém, aquele ódio por gente de carne e osso. Mas é uma situação compreensível, coitadinho. No fundo, ele é um mártir. Amar a Humanidade em abstracto é uma cruz pesada. Quem ama a Humanidade não tem tempo para os vizinhos. 

No mundinho dos livros, o meu mártir favorito é o utilitarista James Mill, esse sujeito que fazia textos sobre o Homem enquanto esmurrava o seu filhinho, John Stuart Mill. E, como todo o vaso ruim, James Mill deixou descendência intelectual. Hoje em dia, a enternecedora chama do utilitarismo é carregada por Peter Singer, um dos mais respeitados filósofos da actualidade. Como se sabe, Singer tem partido a cabeça a pensar numa ética universal para toda a Humanidade. Por outras palavras, Singer tem a pretensão de criar uma única lei para todos os homens do planeta. Do planeta, atenção. Do mundo. Da Terra. O facto de existirem dezenas de culturas e centenas de países é um pormenor sem importância. Porquê? Porque, ora essa, é tão bom colocar o globo na mão esquerda enquanto a mão direita faz onanismos ideológicos. Ai, a Humanidade. Ai, o Homem. Que se lixem os chineses, indianos, brasileiros, sul-americanos, russos, japoneses, etc. O que seria do intelectual ocidental sem este namoro com a Humanidade?

Ora, este homem tão preocupado com a Humanidade é o mesmo que defende o infanticídio de recém-nascidos. Como recordou Manuel António Pina há dias, Singer admite, em nome do mais radical neo-utilitarismo, "o direito a matar recém-nascidos deficientes profundos cuja sobrevivência fosse expectavelmente origem de infelicidade para o próprio e família". Peter Singer, homem de Esquerda, homem de Progresso, homem da Humanidade, acaba por defender uma coisa que deixaria Hitler com um sorriso nos lábios. Se seguíssemos este raciocínio até ao fim, teríamos de matar os velhos doentes. Aliás, estou desconfiado que não deve faltar muito para surgir um artigo mui científico a propor o velhicídio, tal como surgiu há dias um artigo que defendia o infanticídio de recém-nascidos (mesmo sem deficiência). A história muda, mas as personagens ficam: o amor pela Humanidade, essa virgem pura e abstracta, esconde sempre um enorme desprezo pelos seres humanos em concreto. 
Jão
o semeador de horizontes

16 março 2012

inspirational friday #4


"I found love darling, love in the nick of time"



enquanto o comboio passa,
pare, escute e olhe,
sinta, veja e oiça.
ganhe tempo.

13 março 2012

Estrato-Lego!

Um empresário decidiu apostar na ideia de um jovem romeno, de 18 anos, que criou uma réplica de uma nave espacial, mas com peças de Lego. “O meu nome é Raul Oaida (da Roménia) e esto é o meu tributo ao fim da era das naves espaciais da NASA. Venho provar que apesar de antiga, esta máquina ainda pode voar, mesmo em forma de brinquedo”, refere o jovem no seu blogue.
A 31 de Dezembro de 2011, Raul enviou a pequena nave que foi rastreada via GPS. O engenho criado, em três dias, com 180 peças Lego e super cola, foi enviado para a estratosfera durante várias horas. Com a ajuda de um balão de hélio gigante, uma câmara de alta definição e um localizador por GPS, Oaida registou o voo a 35 quilómetros de altitude.

No entanto, como teve dificuldade em conseguir uma autorização pelas autoridades de controlo aéreo, teve de ir para a Alemanha para realizar o projecto financiado pelo empresário australiano Steve Sammartino, que conheceu pela internet e que se dispôs a financiar a experiência.

O jovem romeno é fascinado por viagens espaciais.

Epicteto e o bom orgulho.

por Simão Lucas Pires

O orgulho tem o problema da impertinência: só não entra em cena quando o deveria fazer. E daí decorre grande parte da trapalhada ética em que estamos metidos. Quem contribui para pôr isso a nu é Epicteto, filósofo estoico do século I. Trata-se, para mal da sanidade moral da humanidade, de um pensador caído no esquecimento. Em Portugal, de modo particular, é difícil encontrar algum livro ligado ao seu nome. É pena: Epicteto é o melhor remédio contra a tendência de viver refém do que acontece, contra a doença de querer que seja o mundo a fazer as vezes de mim. Lendo o “Manual”, o livro no qual um discípulo seu reuniu os ensinamentos do mestre, a surpresa de raramente ter ouvido falar deste filósofo impõe-se por si. Como se pôde afastar do cânone um génio de imagens tão simples e de uma seriedade tão clara?

O “Manual”é uma proposta de transformação existencial, dividida em várias sugestões de ordem prática. Certos pontos ligados ao projeto estoico de alcance da impassibilidade parecem bizarros e até pouco razoáveis aos nossos olhos. Mas o núcleo da transformação em causa é válido para todos. Epicteto compreendeu, antes de mais, que a vida é sempre a habitação de uma pergunta. E a pergunta-rainha, aquela que se senta no trono que existe ao fundo da solidão de cada um, costuma ser: «mundo, o que é que me ofereces?» Sob diferentes formas, formas até respeitáveis como o entusiasmo no amor e o sucesso no trabalho, é esta vontade de arrancar bens à existência que reina. Aquilo a que se costuma chamar a procura da “realização pessoal” – e parece que, ao pronunciar a expressão, tudo se torna mais lento e um feixe de luz entra pela janela. O problema é que este desejo, apregoado em todo o discurso pós-moderno, elevado até ao estatuto de direito, não é tão cândido quanto certas bocas dão a parecer. Não prestamos nenhuma atenção ao que esta ditadura da realização pessoal faz de nós, mas a verdade é que corresponde a maior parte das vezes à aniquilação da liberdade e à renúncia a um rosto próprio. Se tudo o que faço é cobrar impostos à vida, quem é que eu sou? Se a medida dos meus gestos não estica para lá da felicidade recebida em troca, não sou apenas um escravo, um miserável e sofisticado escravo da sensibilidade? A primeira lição de Epicteto tem que ver com isto. Uma identidade hipotecada à passividade não é nada; um homem cuja vontade se rendeu às inclinações não é ninguém. Sem espalhafato, em conformidade com as regras sociais e sem olhar de frente o que andamos a fazer, é muitas vezes essa a via que percorremos. Como Dorian Grays de medida quotidiana, como Dorian Grays de roupão e pantufas, deixamos a verdade no sótão para ir atrás de outra coisa qualquer.

Pois Epicteto, perspicaz na compreensão da violência assim perpetrada contra a dignidade do homem, propõe uma atitude diferente: «É um homem belo, uma mulher bela que atinge o teu olhar? Encontrarás a continência. É o cansaço que se impõe? Encontrarás a resistência. Insultos? Encontrarás a paciência.» Há uma inversão no que diz respeito à relação com os acontecimentos. A pergunta fundamental deixa de ter a ver com o que recebo, com o que “sinto”, e passa a ter a ver com o que “sou”. As coisas são a oportunidade de eu ser maximamente, de eu ser o melhor possível. É importante perceber que não se trata aqui de nenhuma obsessão moralista. Epicteto não inventa esta nova pergunta; limita-se a olhar para ela, para esta pergunta à qual, querendo ou não, estou sempre a responder. Eu sou aquilo que faço. Não querendo entrar em formulações metafísicas demasiado aéreas, há que ter como ponto assente que fazer é o ser a ser. Fazer é o ser a mostrar-se, o ser a sair à rua, e não apenas uma excrescência qualquer que se me acrescenta sem borrar o meu rosto. Talvez esse seja o maior mal-entendido na compreensão espontânea da ética: julgar que as minhas ações são uma coisa à parte da minha identidade. Esta é uma ideia que se apodera de nós com muita facilidade. Quando penso em mim, penso em quem? Penso no escritor que escreve os livros que eu nunca escrevi. Penso com a imaginação, não com o que os factos de facto dizem. Penso numa possibilidade – penso em algo que não sou. Todos os conselhos de Epicteto, no estilo sóbrio e exigente que lhe é próprio, visam, em sentido contrário a esta tendência deturpadora, focar a atenção naquilo que realmente se é ao fazer o que se faz. Ao centrar o seu discurso na liberdade, na circunstância de a liberdade ser o único âmbito onde pode estar constituído o significado da minha vida e uma identidade digna desse nome, o filósofo mostra que a tática com que normalmente jogamos é, numa palavra, má.

Percebemos, no fim de contas, que tudo é uma questão de “bom orgulho”. O “Manual” põe-nos à frente do nariz a escolha entre ser uma marioneta sofisticada ou um homem, e não é difícil imaginar qual dos lados é que defende. Tenho quase a certeza de que Epicteto, se os céus lhe concedessem uma visita a Queluz, gostaria da ironia venenosa da canção do Tiago Guillul na qual se diz que o “mundo é o pretexto para o passeio do turista.” É precisamente contra esse passeio afetado, arrogante e fingidamente distraído em relação à profundidade das coisas que o estoico se insurge. O turista é a criatura ridícula que experimentou tudo e não foi ninguém, percorreu o mundo inteiro e esqueceu-se de si. O homem livre não.