16 novembro 2011

Euro 2012 logo is portuguese!

...porque afinal, neste blogue, o mantra é tá muita bom...
apesar do euro, da crise, do futuro, disto, daquilo e do resto.

Viver com menos, saber voar.

Sair do Euro? Absurdo...
Ser forçado a sair do Euro? Cada vez mais forçado a encarar a possibilidade...

Panorama económico desértico quanto mais descontrolada fôr essa saída. O país entrou no euro onde se joga na 1ª liga com uma economia que, se não estava nos regionais, não passava da divisão de honra. Estamos carecas de saber isto. Não interessa nem à Alemanha uma saída cataclísmica da UE. Afinal, temos de pagar a dívida também aos alemães. Porém, se tivermos de sair, somos forçados a atravessar o deserto num carocha podre, disfarçado de tuareg. Poderão dizer - e eu não sei se ao leitor não me junto - que esta leitura vem daquela espécie de cinismo pessimista com que se olha para a realidade e que tantas vezes passa por clarividência ou lucidez.

Mau tempo para empréstimos, diz o outro. Depende da iminência ou não de uma saída; do faseamento que essa porta dos fundos possa ter; dos caminhos escolhidos para a travessia. 

Heróis do azar, pobre povo, nação doente e imortal. Entre as nuvens da poeira, ó pátria, sente-se a voz de quem vem depois de nós e que há de guiar-te à vitória. Às armas e à bagagem, pátria, que temos de ir para outro lado. Viver com menos, saber voar. Nas tribulações, sonhar, marchar!

10 novembro 2011

A Universidade, quer-se universal #2


"[...] There are of course different ways in which such a curriculum might be implemented. And it would be important for it to focus on a limited number of problem areas or texts or historical episodes in the contributing disciplines, so that each problem, each text, each episode could be studied in some depth. Superficiality should be as unacceptable to the educated generalist as it is to the specialist. And a sense of complexity is perhaps even more important for generalists than for specialists, if generalists are to understand the difficulty of formulating and confronting the questions to which this curriculum will introduce them. But why is it important that someone with a higher education should engage with these questions?

Ours is a culture in which there is the sharpest of contrasts between the rigor and integrity with which issues of detail are discussed within each specialized discipline and the self-indulgent shoddiness of so much of public debate on large and general issues of great import (compare Lawrence Summers on economics with Lawrence Summers on gender issues, Cardinal Schönborn on theology with Cardinal Schönborn on evolution). One reason for this contrast is the absence of a large educated public, a public with shared standards of argument and inquiry and some shared conception of the central questions that we need to address. Such a public would be a good deal less willing to allow issues that need to be debated to be defined by those who are so wedded in advance to their own particular partisan answers that they have never found out what the questions are. And it would be unwilling to tolerate the straitjacketing of debate, so characteristic of television, within two- to five-minute periods, during which each participant interrupts and talks down the others. [...]"

O texto completo aqui.

A universidade, quer-se universal.

A Universidade tem de ser uma Escola com uma visão integral da pessoa e da sua formação. Um economista tem de aprender filosofia; um filósofo, economia; um egenheiro, história da arte, e por aí em diante.

Só depois deve o aluno especializar-se. Os anos de universitário são fundamentais na formação da personalidade e a abrangência dos contéudos, a universalidade do percurso académico, é um factor fundamental na construção do adulto. Desse Homem Novo, consciente do Universo à sua volta e do que pensaram e fizeram os outros Homens. Mais capaz de vislumbrar como é que chegámos todos até aqui e porquê desta maneira.

Sem isto, a Escola degenera numa simples fábrica de competências, por mais brio e tradição que tenha. Acredito que muitos daqueles professores que nos inspiravam, de alguma maneira, concebiam o seu papel assim, como alguém que quer formar e fazer crescer outro alguém que vai a caminho de um futuro.

Ficávamos todos bem melhores com Universidades verdadeiras.

Se ainda não vos consegui convencer, o que dada a capacidade do autor é bem provável, leiam quem sabe do que escreve aqui.


Obrigado Senhora do Monte.

02 novembro 2011

Let's make money - está aberto o debate!


Excerto do documentário "Let's make money".

Será verdade? Teoria da conspiração?
Porque é que um "former economic hitman" quereria expôr o seu passado? Súbito ataque de consciência?

Faltava conseguir o documentário todo.
Aceitam-se mais informações.

31 outubro 2011

Sete mil milhões.


Maravilhas das projecções demográficas: sabemos o dia e a hora em que passamos a ser sete mil milhões de habitantes.
Estiveram atentos? Não sentiram o mundo dar um salto?
Adoro o tom determinista que só as notícias conseguem ter; aquele conforto de quem pensa que tem tudo o que precisa de saber, controlado num painel de instrumentos. Como se as projecções não tivessem incertezas associadas.
Atenção, não contesto que estamos a passar a marca dos sete mil milhões. Acho só piada ao tom "senhoras e senhores! Hoje à meia-noite, o acontecimento do ano!".
Para não falar de que nos próximos dias, vamos assistir a uma catadupa de profetas do fim do mundo: "Somos muitos! Não há recursos para todos...! Vamos todos morrer! Controlem as populações! Só os mais aptos podem reproduzir-se!"

Ou então é só 2ªfeira de manhã...

28 outubro 2011

só leio desistência...

Leio os 10 mais recentes comentários a esta notícia e não posso deixar de pensar que os derrotistas, submissos e conformados são precisamente os que os escreveram, e não essa muito prática entidade abstracta que é o "povo português".

Serão, como ratos, os primeiros a saltar do barco? Onde está vossa honra? A vossa esperança no futuro? O vosso desígnio? A vossa visão e o contributo pessoal e concreto para um futuro melhor? Onde estão as vossas mangas arregaçadas para darmos todos juntos "a volta ao texto"? Terão ficado no Euro 2004, secalhar...

Onde está a vossa Vontade de Ser?!

Em vez disso, leio desistência... 
As coisas estão más. Estão mesmo muito más... e então?! 
Vão abandonar o barco?! 

BENDITO 1640!

O anedótico gosta de tempestade em copo de água. Esperto...

O anedótico é manhoso...

José Rodrigues dos Santos continua a mostrar que não sabe do que fala, respondendo ao comentário que o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura fez ao seu texto. Com mais patas na poça, evidencia sozinho os pontos que o SNPC levantou.

O anedótico conseguiu fazer melhor ao juntar a ofensa à injúria, quando passa um atestado de burrice ao público em geral e aos católicos ao afirmar que "o cidadão comum nunca ouviu dizer que Jesus não era cristão". Mas o mais delicioso da notícia é o seguinte excerto: "A Igreja nega ou não nega que Jesus era judeu - e, consequentemente, que Cristo não era cristão?".... [pausa de estupefação]. 

Eu sou um cidadão comum e sei isto... A grande maioria dos cidadãos comuns sabe isto. Mas o mais incrível é que este segredo sujo e escondido que supostamente a Igreja esconde a sete chaves é, afinal, evidente, claro e assumido por todos... basta ler com atenção os Evangelhos.

Jesus podia até ter sido chinês. O que o autor não sabe ou finge não saber (polémica = publicidade), é que o nome "Cristão", começou a ser utilizado para designar aqueles que eram de Jesus Cristo. Aqueles que o seguiam, aqueles que acreditavam nas suas palavras. O anedótico também não sabe, ou não quer saber, que a palavra Cristo vem do grego e significa "o Ungido".

Se o anedótico está a falar de crianças de dez anos ao mencionar o cidadão comum, então talvez tenha razão. Senão, insulta de uma assentada, milhões de portugueses com o seu tom paternalista e pseudo-acutilante. 

A Igreja não tem medo de nada. Apenas esclarece que o anedótico não sabe do que fala e afirma como verdades teorias que não são reconhecidas como válidas pela maioria dos estudiosos (os verdadeiros), da Bíblia.
De facto, a Igreja não só não teme a Verdade, como a procura com todas as forças e fraquezas que tem, de esperanças postas no coração do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Enfim... espuma dos dias que cedo, espera-se, passará...

Leitura adicional: Análise ao romance "O último segredo", de José Rodrigues dos Santos pelo professor doutor Mário Avelar, professor catedrático de Estudos Anglo-Americanos publicado pela Agência Ecclesia e transcrito no site do SNPC.

26 outubro 2011

poema-círculo à roda das coisas.


"A coisa mais antiga de que me lembro é dum quarto em frente do mar dentro do qual estava, poisada em cima de uma mesa, uma maçã enorme e vermelha. Do brilho do mar e do vermelho da maçã erguia-se uma felicidade irrecusável, nua e inteira. Não era nada de fantástico, não era nada de imaginário: era a própria presença do real que eu descobria. Mais tarde a obra de outros  artistas veio confirmar a objectividade do meu próprio olhar. Em Homero reconheci essa felicidade nua e inteira, esse esplendor da presença das coisas. E também a reconheci intensa, atenta e acesa na pintura de Amadeo de Souza-Cardoso. Dizer que a obra de arte faz parte da cultura é uma coisa um pouco escolar e artificial. A obra de arte faz parte do real e é destino, realização, salvação e vida. 
Sempre a poesia foi para mim uma perseguição do real. Um poema foi sempre um círculo traçado à roda duma coisa, um círculo onde o pássaro do real fica preso. E se a minha poesia, tendo partido do ar, do amor e da luz, evoluiu, evoluiu sempre dentro dessa busca atenta. Quem procura uma relação justa com a pedra, com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito de verdade que o anima, a procurar uma relação justa com o homem. Aquele que vê o espantoso esplendor do mundo é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo. Aquele que vê o fenómeno quer ver todo o fenómeno. É apenas uma questão de atenção, de sequência e de rigor (...)".

Descrição por Sophia de Mello Breyner da sua  Arte Poética num texto lido em 11 de Julho de 1964, no almoço de homenagem promovido pela Sociedade Portuguesa de escritores, por ocasião da entrega do grande Prémio de Poesia, atribuído a Livro Sexto.

Encontrado aqui.