16 outubro 2008

Gente de fé

"Os recentes debates políticos mostraram muita gente de fé. Ao contrário do que se pensa, existem em Portugal multidões capazes de lutar com paixão por questões de princípio, no aborto, divórcio ou homossexualidade. De ambos os lados do debate.

Um militante do PCP ou Bloco de Esquerda é, em geral, uma pessoa de fé sólida, que apregoa fervorosamente os seus dogmas, cumpre ritos e respeita os seus mestres. Diz-se ateu e as suas posições são largamente opostas às de cristãos ou muçulmanos, mas o estilo é idêntico. Pode sentir isto como um insulto, mas é uma pessoa devota.

A cultura dominante menospreza a fé, considerada tacanha, boçal, supersticiosa. Compreende-se, pois a História mostra muitos fanatismos destrutivos. Isso aliás é já evidente nos actuais confrontos, onde os bem-intencionados activistas pretendem derrubar alegremente as regras básicas da família com consequências profundas que nem sequer entendem.

Tal como os seus igualmente bem-intencionados avós, apaixonados pela revolução proletária, criaram as maiores catástrofes do século passado. Mas as grandes mudanças da Humanidade, boas como más, só foram possíveis com pessoas de convicções fortes.

Por isso os actuais militantes dos movimentos contra a família, mesmo enganados, são pessoalmente muito melhores que tantos políticos do bloco central que, cínicos, interesseiros e desiludidos, apenas se excitam com interesses mesquinhos. Estes são mais sensatos, mas não fazem nem bem nem mal por falta de ânimo. Qualquer que seja a sua orientação, a fé é a grande força da humanidade."


João César das Neves in Destak 16.10.2008

30 setembro 2008

Modern Times


Modern Times é uma crítica, disfarçada de comédia, à era industrial e à mentalidade mecanicista vigente durante as primeiras décadas do século XX. Foi realizado em 1936 por Charlie Chaplin, que é também a personagem principal.

A acção decorre durante os anos da Grande Depressão, em que a escassez de emprego e o colapso da economia forçavam grande parte da população a viver em condições de extrema pobreza.

O filme inicia-se com o rebanho a ir trabalhar. O indivíduo sujeito ao colectivo e de consciência anestesiada, caminha amorfo.

De seguida, aparece-nos Chaplin, na pele da sua personagem “The Tramp”, a trabalhar numa fábrica da Electro Steel Company. Nesta primeira parte do filme, faz uma sátira à linha de montagem, o Taylorismo, em que o empregado é apenas mais uma peça na engrenagem. O trabalho é monótono, os processos são repetitivos. O que importa é a produtividade e quase não há tempo para fazer uma pausa.

Numa fábrica moderna e eficiente, o ser humano não é visto como uma pessoa humana e, como tal, é asfixiado. Citando o Papa João Paulo II, na sua encíclica Laborem Exercens “o trabalho é para o homem, e não o homem para o trabalho”. A primeira parte de Modern Times, comunica-nos isto mesmo.

Chaplin, não aguentando a monotonia e a velocidade cada vez maior da linha de montagem, sofre um esgotamento nervoso, sendo levado ao hospital.

Recuperado mas sem emprego, Charlot, vê-se entregue às ruas. Acaba por ser confundido com um dirigente comunista e é preso durante uma manifestação.

Nada melhor. Um Chaplin, pedinte e de espírito quebrado, prefere comida quente e cama lavada a ser livre, não querendo sair da prisão. Nem quando lhe é concedido um perdão por ter impedido uma revolta de prisioneiros.

Já liberto, Chaplin só pensa em voltar para a prisão, onde está “seguro”.
O ser humano nem sempre é racional. Por vezes, as condições extremas e desesperadas fazem-nos mais primários. Queremos onde dormir e o que comer. Para o resto, não sobra ânimo ou energias. Isto faz-nos olhar de maneira diferente para a pobreza.

Mas Modern Times, também é um filme sobre um amor que floresce entre Chaplin e uma jovem mulher. Ela é pobre e órfã, separada das suas irmãs e procurada pelas autoridades por não querer ir para uma instutuição.

De peripécia em peripécia, The Gamin e The Tramp, lutam juntos por uma vida melhor. A alegria regressa. O sonho volta. O ser humano desperta. A diginidade é reconquistada.
Quando os dois encontram finalmente, um emprego fixo, as autoridades encontram a jovem mulher e o casal vê-se obrigado a fugir. A vida dá outra cambalhota.

O filme termina com os dois a caminhar rumo a um futuro desconhecido. Caminham juntos e de cabeça erguida. Recusam o desespero e abrem um sorriso. Lutam por ir, uma e outra vez, ao encontro da Vida, da Dignidade, da Felicidade. Constroem um final feliz.


Modern Times é uma comédia carregada de fortes críticas sociais. Um filme “levezinho” que fala de temas fundamentais para a sociedade. Um filme que nos interpela a nós como cidadãos.

Um filme ainda, em muitos aspectos, actual.

23 setembro 2008

clearly smirnoff...

o ananás vol.1


o Ananás sempre foi o outsider da família.
cabelo espetado, casca dura; sempre no seu mundo.
sempre achou que ser rebelde é que era...!

acho que foi o tio Côco que o influenciou...
o tio côco também tinha o seu mundo à parte, digamos...
nunca fazia a barba, sempre com um ar meio sujo...!
morava nos trópicos. boa vida, passar o dia na praia... tão a ver o género?
casou com a tia Palmeira, e pouco mais disse ao resto da família.
um ou outro postal no Natal e pronto.
sempre achei que ele mandava esses postais só para fazer inveja.
tipo "bora lá mostrar aos reféns do sistema o bom que é viver numa ilha tropical!"

mas estávamos a falar do ananás...

esse gajo nunca soube o que era um pente!
sempre que ele vinha sair connosco éramos barrados!
até os Bananas entravam...! só nós é que não...

ontem recebi uma carta do Ananás...!
não tinha notícias dele há uns três anos, desde que ele mandou aquela fotografia que tirou no Nepal, à porta do templo, de mochila às costas.
nas costas dizia: "um abraço do teu primo Cristas! por aqui tudo em altas. bom karma, boa onda... o universo está em harmonia"
Cristas era o nome de rua que ele tinha, dos tempos do gangue;
nunca deixou de usar esse nome, mesmo depois de ter renascido para a verdadeira luz cósmica da verdade celestial...!
nunca percebi lá muito bem o que se passava naquela cabeça...!

estranhei receber uma carta dele.
apesar de uma ligação que sempre ficou, fomos perdendo o contacto...

contava que

22 setembro 2008

o que poucos sabem e todos queremos aprender.

difícil é continuar...

mas parar é fugir. E na fuga, morre-se por dentro.
partimos, vamos, somos; e continuamos...

continuar é próprio de quem ama, de quem não foge, de quem escolhe a vida que é Livre.

continuar é permanecer...
permanecer fiel ao que de mais genuíno temos.
é permanecer fiel aos nossos sonhos.

continuar põe-nos a caminho.
implica sair para algum sítio novo, voltar para um antigo, ou seguir onde estamos...

difícil... difícil é continuar; partir, ir e ser, faz-se no mesmo fôlego...
é o exercício de encher de ar fresco, um peito pesado e cansado, que custa.

continuar só porque tudo o resto continua, é apenas ir andando.
continuar depois das descontinuidades, é uma arte que poucos sabem e todos queremos aprender.

para continuar, é preciso que se continue de dentro para fora.
é preciso que cada passo seja nosso e dado por inteiro.
é preciso um coração vivo, todos os dias.

que difícil que é continuar... ás vezes...
obriga-nos a ir buscar toda a garra que temos para aceitar o momento presente, tal como ele é.
noutras, continuar é tão fácil que nem damos por isso...!

é difícil continuar...
mas olhar para trás e ver tudo o que já continuámos, faz-nos abrir um sorriso e dizer tá muita bom...
é nesses profundos momentos, que temos vislumbres do que é ser mesmo Livre...
é sabendo que se continuou e que por isso estamos mais vivos do que ontem, que se vê sentido em continuar.

para continuar é preciso estar em paz com o passado, ter esperança no futuro e ser inteiro no presente.

continuar é próprio de quem luta.
é próprio de quem tenta ser Alegre; é próprio de quem chora e sofre, de quem se ri, acorda feliz ou menos bem, de quem se sente sozinho, de quem conta com os amigos; é próprio de quem está Vivo.

continuar é, portanto, próprio de mim...!

21 setembro 2008

the darjeeling limited



vi este filme no outro dia.

algumas ideias soltas:

o homem ocidental, moderno, tem muito barulho à volta. Custa-lhe estar em silêncio, encontrar-se e estar, completamente, no momento presente.

as "hierarquias" e maneiras de estar entre irmãos não mudam.

três homens, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, embarcaram numa espécie de aventura espiritual em que tudo estava planeado e organizado. Era só chegar e adquirir um momento de introspecção de um qualquer menu zen.

é claro que não resultou.

partiram três indivíduos, independentes. Voltaram três irmãos, Livres.

07 setembro 2008

mistérios...


"aprendi uma coisa na minha vida, ao caminhar:

não posso ganhar a Deus quando se trata de dar.

por mais que queira dar-lhe, Ele ganha-me sempre, porque me devolve muito mais do que aquilo que lhe pedi.

pode dar-se sem se amar; não se pode amar sem dar.
dar não é porque tenho, antes tenho porque dou. E quando Deus me pede, é quando me quer dar. E quando Deus me dá, é quando me quer pedir.

se quiseres, podes tentar e começa hoje a dar; verás que dentro em pouco, tu também poderás dizer:

aprendi uma coisa na minha vida, ao caminhar:

não posso ganhar a Deus quando se trata de dar"


autor desconhecido... para mim...! não, não foi a Madre Teresa...

california girls



The Magnetic Fields

caravan girl




Goldfrapp

07 agosto 2008

CAMTIL...

...nas palavras de uma animada,

"procuro caras amigas
enquanto o comboio não parte
dou um passo em frente
em direcção ao desconhecido
procuro palavras certas
mas tudo me sai errado

os dias passam
a cara sempre igual

oiço um breve, gentil - "olá"
de outro como eu
entrego-lhe um breve
mas sentido sorriso

as coisas mudam
vejo cor em tudo o que faço
inspiro alegria sempre que dou um passo

acaba
acaba mas uma coisa aprendi
acaba mas uma coisa fiz
com a ajuda dos outros cresci
com a ajuda dos outros vi

é assim o camtil

conhecemos pessoas
conhecemos sentimentos
uma lágrima dedicas
a todos os que partem

conheces-te a ti"

por Geca

é verdade... também fiquei a achar que é mesmo assim o camtil...!
faz-me pensar que isto de sair de nós mesmos para tentar dar um pouco do que temos aos outros, é mesmo Verdade... faz-nos entrar em cada vez mais Vida... e isso é bom...
pobres de nós, se andassemos por aí feitos mortos-vivos...!