23 setembro 2008

clearly smirnoff...

o ananás vol.1


o Ananás sempre foi o outsider da família.
cabelo espetado, casca dura; sempre no seu mundo.
sempre achou que ser rebelde é que era...!

acho que foi o tio Côco que o influenciou...
o tio côco também tinha o seu mundo à parte, digamos...
nunca fazia a barba, sempre com um ar meio sujo...!
morava nos trópicos. boa vida, passar o dia na praia... tão a ver o género?
casou com a tia Palmeira, e pouco mais disse ao resto da família.
um ou outro postal no Natal e pronto.
sempre achei que ele mandava esses postais só para fazer inveja.
tipo "bora lá mostrar aos reféns do sistema o bom que é viver numa ilha tropical!"

mas estávamos a falar do ananás...

esse gajo nunca soube o que era um pente!
sempre que ele vinha sair connosco éramos barrados!
até os Bananas entravam...! só nós é que não...

ontem recebi uma carta do Ananás...!
não tinha notícias dele há uns três anos, desde que ele mandou aquela fotografia que tirou no Nepal, à porta do templo, de mochila às costas.
nas costas dizia: "um abraço do teu primo Cristas! por aqui tudo em altas. bom karma, boa onda... o universo está em harmonia"
Cristas era o nome de rua que ele tinha, dos tempos do gangue;
nunca deixou de usar esse nome, mesmo depois de ter renascido para a verdadeira luz cósmica da verdade celestial...!
nunca percebi lá muito bem o que se passava naquela cabeça...!

estranhei receber uma carta dele.
apesar de uma ligação que sempre ficou, fomos perdendo o contacto...

contava que

22 setembro 2008

o que poucos sabem e todos queremos aprender.

difícil é continuar...

mas parar é fugir. E na fuga, morre-se por dentro.
partimos, vamos, somos; e continuamos...

continuar é próprio de quem ama, de quem não foge, de quem escolhe a vida que é Livre.

continuar é permanecer...
permanecer fiel ao que de mais genuíno temos.
é permanecer fiel aos nossos sonhos.

continuar põe-nos a caminho.
implica sair para algum sítio novo, voltar para um antigo, ou seguir onde estamos...

difícil... difícil é continuar; partir, ir e ser, faz-se no mesmo fôlego...
é o exercício de encher de ar fresco, um peito pesado e cansado, que custa.

continuar só porque tudo o resto continua, é apenas ir andando.
continuar depois das descontinuidades, é uma arte que poucos sabem e todos queremos aprender.

para continuar, é preciso que se continue de dentro para fora.
é preciso que cada passo seja nosso e dado por inteiro.
é preciso um coração vivo, todos os dias.

que difícil que é continuar... ás vezes...
obriga-nos a ir buscar toda a garra que temos para aceitar o momento presente, tal como ele é.
noutras, continuar é tão fácil que nem damos por isso...!

é difícil continuar...
mas olhar para trás e ver tudo o que já continuámos, faz-nos abrir um sorriso e dizer tá muita bom...
é nesses profundos momentos, que temos vislumbres do que é ser mesmo Livre...
é sabendo que se continuou e que por isso estamos mais vivos do que ontem, que se vê sentido em continuar.

para continuar é preciso estar em paz com o passado, ter esperança no futuro e ser inteiro no presente.

continuar é próprio de quem luta.
é próprio de quem tenta ser Alegre; é próprio de quem chora e sofre, de quem se ri, acorda feliz ou menos bem, de quem se sente sozinho, de quem conta com os amigos; é próprio de quem está Vivo.

continuar é, portanto, próprio de mim...!

21 setembro 2008

the darjeeling limited



vi este filme no outro dia.

algumas ideias soltas:

o homem ocidental, moderno, tem muito barulho à volta. Custa-lhe estar em silêncio, encontrar-se e estar, completamente, no momento presente.

as "hierarquias" e maneiras de estar entre irmãos não mudam.

três homens, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, embarcaram numa espécie de aventura espiritual em que tudo estava planeado e organizado. Era só chegar e adquirir um momento de introspecção de um qualquer menu zen.

é claro que não resultou.

partiram três indivíduos, independentes. Voltaram três irmãos, Livres.

07 setembro 2008

mistérios...


"aprendi uma coisa na minha vida, ao caminhar:

não posso ganhar a Deus quando se trata de dar.

por mais que queira dar-lhe, Ele ganha-me sempre, porque me devolve muito mais do que aquilo que lhe pedi.

pode dar-se sem se amar; não se pode amar sem dar.
dar não é porque tenho, antes tenho porque dou. E quando Deus me pede, é quando me quer dar. E quando Deus me dá, é quando me quer pedir.

se quiseres, podes tentar e começa hoje a dar; verás que dentro em pouco, tu também poderás dizer:

aprendi uma coisa na minha vida, ao caminhar:

não posso ganhar a Deus quando se trata de dar"


autor desconhecido... para mim...! não, não foi a Madre Teresa...

california girls



The Magnetic Fields

caravan girl




Goldfrapp

07 agosto 2008

CAMTIL...

...nas palavras de uma animada,

"procuro caras amigas
enquanto o comboio não parte
dou um passo em frente
em direcção ao desconhecido
procuro palavras certas
mas tudo me sai errado

os dias passam
a cara sempre igual

oiço um breve, gentil - "olá"
de outro como eu
entrego-lhe um breve
mas sentido sorriso

as coisas mudam
vejo cor em tudo o que faço
inspiro alegria sempre que dou um passo

acaba
acaba mas uma coisa aprendi
acaba mas uma coisa fiz
com a ajuda dos outros cresci
com a ajuda dos outros vi

é assim o camtil

conhecemos pessoas
conhecemos sentimentos
uma lágrima dedicas
a todos os que partem

conheces-te a ti"

por Geca

é verdade... também fiquei a achar que é mesmo assim o camtil...!
faz-me pensar que isto de sair de nós mesmos para tentar dar um pouco do que temos aos outros, é mesmo Verdade... faz-nos entrar em cada vez mais Vida... e isso é bom...
pobres de nós, se andassemos por aí feitos mortos-vivos...!

09 julho 2008

"Why does a dog wag his tail? Because the dog his smarter than the tail. If the tail were smarter, it would wag the dog"

07 julho 2008

gostava de escrever como quem respira
sem processo ou construção
ter um canal directo
da mente ao fim da mão

que a escrita fosse momento
fugaz instante sem bloqueio
que faz eco das ideias
de que ando sempre cheio

do pensar à conclusão
um imediato acontecido
do impulso à explicação
um entretanto redigido