30 maio 2008
28 maio 2008
19 maio 2008
Peregrinar
"Caminham em filas ao lado das estradas nacionais, por trilhos de terra batida, atravessando pequenos povoados que antes desconheciam, cruzando horas e horas a paisagem de giestas e silêncio.
Têm em português um nome que deriva de uma forma latina: Per ager, que significa "através dos campos"; ou Per eger, "para lá das fronteiras". Definem-se, assim, por uma extraterritorialidade simbólica que os faz, momentaneamente, viver sem cidade e sem morada.
Experimentam uma espécie de nomadismo: não se demoram em parte alguma, comem ao sabor da própria jornada, dormem aqui e ali. Num tempo ferozmente cioso da produção e do consumo, eles são um elogio da frugalidade e do dom. Relativizam a prisão de comodismos, necessidades, fatalismos e desculpas. E o seu coração abre-se à revelação de um sentido maior.
A verdade é que é difícil ter uma vida interior de qualidade, se nem vida se tem, no atropelo de um quotidiano que devora tudo. Na saturação das imagens que nos são impostas, vamos perdendo a capacidade de ver. No excesso de informação e de palavra, esquecemos a arte de ouvir e comunicar vida. Damos por nós, e há, à nossa volta, um deserto sem resposta que cresce. E quando nos voltamos para Deus, parece que não sabemos rezar.
Estes peregrinos que tornam a encher as estradas de Fátima (mas também de Santiago, de Chartres, do Loreto.) assinalam-nos o dever de buscar a estrada luminosa da própria vida. Já não separam a existência por gavetas estanques, mas o seu corpo e a sua alma respiram em uníssono.
A oração torna-se natural como uma conversa, e as conversas enchem-se de profundidade, de atenção, de sorrisos. A parte mais importante dos quilómetros que percorrem não está em nenhum mapa: eles caminham para um centro invisível onde pode acontecer o encontro e o renascimento.
Queria dedicar este texto a um amigo que, neste mês de Maio, fez a sua primeira peregrinação. A meio do caminho enviou-me uma mensagem a dizer: «Aprendo a rezar com os pés»."
José Tolentino Mendonça in http://www.ecclesia.pt/
Têm em português um nome que deriva de uma forma latina: Per ager, que significa "através dos campos"; ou Per eger, "para lá das fronteiras". Definem-se, assim, por uma extraterritorialidade simbólica que os faz, momentaneamente, viver sem cidade e sem morada.
Experimentam uma espécie de nomadismo: não se demoram em parte alguma, comem ao sabor da própria jornada, dormem aqui e ali. Num tempo ferozmente cioso da produção e do consumo, eles são um elogio da frugalidade e do dom. Relativizam a prisão de comodismos, necessidades, fatalismos e desculpas. E o seu coração abre-se à revelação de um sentido maior.
A verdade é que é difícil ter uma vida interior de qualidade, se nem vida se tem, no atropelo de um quotidiano que devora tudo. Na saturação das imagens que nos são impostas, vamos perdendo a capacidade de ver. No excesso de informação e de palavra, esquecemos a arte de ouvir e comunicar vida. Damos por nós, e há, à nossa volta, um deserto sem resposta que cresce. E quando nos voltamos para Deus, parece que não sabemos rezar.
Estes peregrinos que tornam a encher as estradas de Fátima (mas também de Santiago, de Chartres, do Loreto.) assinalam-nos o dever de buscar a estrada luminosa da própria vida. Já não separam a existência por gavetas estanques, mas o seu corpo e a sua alma respiram em uníssono.
A oração torna-se natural como uma conversa, e as conversas enchem-se de profundidade, de atenção, de sorrisos. A parte mais importante dos quilómetros que percorrem não está em nenhum mapa: eles caminham para um centro invisível onde pode acontecer o encontro e o renascimento.
Queria dedicar este texto a um amigo que, neste mês de Maio, fez a sua primeira peregrinação. A meio do caminho enviou-me uma mensagem a dizer: «Aprendo a rezar com os pés»."
José Tolentino Mendonça in http://www.ecclesia.pt/
14 maio 2008
Para Maria
"Maria, Maria
Procuro por Ti
Trago este vazio
E o desejo de dar cor à minha vida
Quero pintar
Esta história que estou a criar
Quero ser mais
Minha grandeza afirmar
Ser poeta, ser cantor, ser o céu
Onde mora tudo o que eu vou ser
Se eu souber ser amor
Maria, Maria
Não sei que aconteceu
Se o mundo ou se fui eu
Enganou-se o amanhã sem piedade
Fecha-se a luz
Sobre as almas da minha idade
Esconde-se o céu
Onde eu quero ser mais verdade
Minha Senhora e minha Mãe
Olha bem por nós
Sem Teu amor
Ficaremos sós.
Maria, Maria
Mãe do silêncio
Mãe da humanidade
Em Teu seio o meu Senhor se gerou
E Tu o contemplaste
Cheia de amor e ternura
Teu filho desejado
e por ti muito amado
Minha Senhora e minha Mãe
Ensina-me a amar
E arriscar
A saber ser maior"
Mafalda Arnauth
Procuro por Ti
Trago este vazio
E o desejo de dar cor à minha vida
Quero pintar
Esta história que estou a criar
Quero ser mais
Minha grandeza afirmar
Ser poeta, ser cantor, ser o céu
Onde mora tudo o que eu vou ser
Se eu souber ser amor
Maria, Maria
Não sei que aconteceu
Se o mundo ou se fui eu
Enganou-se o amanhã sem piedade
Fecha-se a luz
Sobre as almas da minha idade
Esconde-se o céu
Onde eu quero ser mais verdade
Minha Senhora e minha Mãe
Olha bem por nós
Sem Teu amor
Ficaremos sós.
Maria, Maria
Mãe do silêncio
Mãe da humanidade
Em Teu seio o meu Senhor se gerou
E Tu o contemplaste
Cheia de amor e ternura
Teu filho desejado
e por ti muito amado
Minha Senhora e minha Mãe
Ensina-me a amar
E arriscar
A saber ser maior"
Mafalda Arnauth
12 maio 2008
28 abril 2008
às vezes é preciso lutar e esperar
e deixar a outra alma repousar...
às vezes é preciso correr e sofrer
e à distância aprender a gostar...
e cravas a tua bandeira, soltas o grito
sozinho no terreiro, de peito a descoberto
e a voz do teu profundo inflama cada fibra
e as gotas do teu sangue são lágrimas de vida
aos uivos da tristeza, devolves a garra desmedida
e aos medos do tirano, cospes pura teimosia
porque tua é a esperança e a certeza do que sentes
tua é a vontade que levanta a pobre gente
é tua essa verdade, a glória eterna, a chama intensa
é tua a alma entregue, à vida tão imensa
às vezes é preciso correr, e tanbém saber morrer
por ser preciso, gostar de longe e deixar amanhecer
e deixar a outra alma repousar...
às vezes é preciso correr e sofrer
e à distância aprender a gostar...
e cravas a tua bandeira, soltas o grito
sozinho no terreiro, de peito a descoberto
e a voz do teu profundo inflama cada fibra
e as gotas do teu sangue são lágrimas de vida
aos uivos da tristeza, devolves a garra desmedida
e aos medos do tirano, cospes pura teimosia
porque tua é a esperança e a certeza do que sentes
tua é a vontade que levanta a pobre gente
é tua essa verdade, a glória eterna, a chama intensa
é tua a alma entregue, à vida tão imensa
às vezes é preciso correr, e tanbém saber morrer
por ser preciso, gostar de longe e deixar amanhecer
04 abril 2008
dá um mergulho no mar
"dá um mergulho no mar
dá um mergulho sem olhar p'ra trás
dá um salto no ar
só para veres do que és capaz
arrisca mais uma vez
nem que seja só por arriscar
nunca se tem muito a perder
dá um mergulho no mar
há tantas coisas por fazer
e tantas por inventar
dá um mergulho no mar
e tu vais ver
tu vais jogar
tu vais perder
tu vais tentar
mais uma vez
e tu vais ver
e tu vais rir
tu vais ganhar
tens pouco tempo para ser só teu
não esperes nem deixes passar
essa vontade que quer
dar um mergulho no mar
arrisca mais uma vez
nem que seja só por arriscar
nunca se tem muito a perder
dá um mergulho no mar
há tantas coisas por fazer
e tantas por inventar
dá um mergulho no mar
e tu vais ver
tu vais jogar
tu vais perder
tu vais tentar
mais uma vez
tu vais jogar
e tu vais ver
tu vais gostar
tu vais chorar
E tu vais rir
dá um mergulho no mar
há-de chegar o dia
em que vais querer parar
até chegar esse dia
quero-te ver a saltar
e tu vais ver
tu vais jogar
tu vais perder
tu vais tentar
mais uma vez
tu vais jogar
E tu vais ver
tu vais gostar
tu vais chorar
E tu vais rir
dá um mergulho no mar"
Xutos e Pontapés
dá um mergulho sem olhar p'ra trás
dá um salto no ar
só para veres do que és capaz
arrisca mais uma vez
nem que seja só por arriscar
nunca se tem muito a perder
dá um mergulho no mar
há tantas coisas por fazer
e tantas por inventar
dá um mergulho no mar
e tu vais ver
tu vais jogar
tu vais perder
tu vais tentar
mais uma vez
e tu vais ver
e tu vais rir
tu vais ganhar
tens pouco tempo para ser só teu
não esperes nem deixes passar
essa vontade que quer
dar um mergulho no mar
arrisca mais uma vez
nem que seja só por arriscar
nunca se tem muito a perder
dá um mergulho no mar
há tantas coisas por fazer
e tantas por inventar
dá um mergulho no mar
e tu vais ver
tu vais jogar
tu vais perder
tu vais tentar
mais uma vez
tu vais jogar
e tu vais ver
tu vais gostar
tu vais chorar
E tu vais rir
dá um mergulho no mar
há-de chegar o dia
em que vais querer parar
até chegar esse dia
quero-te ver a saltar
e tu vais ver
tu vais jogar
tu vais perder
tu vais tentar
mais uma vez
tu vais jogar
E tu vais ver
tu vais gostar
tu vais chorar
E tu vais rir
dá um mergulho no mar"
Xutos e Pontapés
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