28 abril 2008

às vezes é preciso lutar e esperar
e deixar a outra alma repousar...
às vezes é preciso correr e sofrer
e à distância aprender a gostar...

e cravas a tua bandeira, soltas o grito
sozinho no terreiro, de peito a descoberto
e a voz do teu profundo inflama cada fibra
e as gotas do teu sangue são lágrimas de vida

aos uivos da tristeza, devolves a garra desmedida
e aos medos do tirano, cospes pura teimosia
porque tua é a esperança e a certeza do que sentes
tua é a vontade que levanta a pobre gente

é tua essa verdade, a glória eterna, a chama intensa
é tua a alma entregue, à vida tão imensa

às vezes é preciso correr, e tanbém saber morrer
por ser preciso, gostar de longe e deixar amanhecer

04 abril 2008

dá um mergulho no mar

"dá um mergulho no mar
dá um mergulho sem olhar p'ra trás
dá um salto no ar
só para veres do que és capaz

arrisca mais uma vez
nem que seja só por arriscar
nunca se tem muito a perder
dá um mergulho no mar

há tantas coisas por fazer
e tantas por inventar
dá um mergulho no mar

e tu vais ver
tu vais jogar
tu vais perder
tu vais tentar

mais uma vez
e tu vais ver
e tu vais rir
tu vais ganhar

tens pouco tempo para ser só teu
não esperes nem deixes passar
essa vontade que quer
dar um mergulho no mar

arrisca mais uma vez
nem que seja só por arriscar
nunca se tem muito a perder
dá um mergulho no mar

há tantas coisas por fazer
e tantas por inventar
dá um mergulho no mar

e tu vais ver
tu vais jogar
tu vais perder
tu vais tentar

mais uma vez
tu vais jogar
e tu vais ver
tu vais gostar
tu vais chorar
E tu vais rir
dá um mergulho no mar

há-de chegar o dia
em que vais querer parar
até chegar esse dia
quero-te ver a saltar

e tu vais ver
tu vais jogar
tu vais perder
tu vais tentar

mais uma vez
tu vais jogar
E tu vais ver
tu vais gostar
tu vais chorar
E tu vais rir
dá um mergulho no mar"

Xutos e Pontapés
"prefiro a côr na minha vida
apodreço no cinzento
ver o brilho em cada dia
acorda cá por dentro

pode ser a côr do choro
da angústia, côr de sangue
dêem-me as cores todas
o meu quadro é muito grande

mas já agora, se quiseres
dá-me as tuas, são melhores
traz as que tiveres
e pinta histórias tuas

Assim, de côr em côr
vais comigo estrada fora
nos caminhos do amor
ver-te não demora"

As cores - JMFD
o amor parece que avança aos arrecuos.
é um mistério, esse enlaçar dos fios da alma.
o amor parece sempre alguma coisa.
poucos sabem, na verdade, aquilo que é.

31 março 2008

ter esperança

Se tendemos para uma espécie de divino, então o universo terreno será uma espécie de meio para atingir esse fim mais pleno...
E portanto, o que encontramos por cá, não vai responder nunca, a tudo.

Visão sombria.
É aqui entra a esperança... Uma espécie de voz aqui dentro que, por muito fraca que às vezes possa ser, nunca se cala. Um anseio estranho que surge sem fazermos nada.

Ter esperança, é diferente de ficar sentado à espera...
Se o optimista fica à espera que o vento mude, o esperançoso ajusta as velas.
Isso implica esforço e às vezes dor... porque é sabido que a vida não é um mar de rosas... e pôr motores nos barcos, geralmente acaba num fim rápido e imperfeito. Ficamos encalhados em agonia num banco de areia.
Ter esperança é saber que o Vento existe. E se existe, então significa que está presente no universo terreno. Significa que a plenitude é um limite ao qual é possível chegar. O divino comunica com o terreno.
Ter esperança é saber a dor faz parte da vida. É saber que a dor é tão real quanto a alegria.
Ter esperança é saber que os entusiasmos são bons porque nos tocam e despertam.
Ter esperança é saber que se o coração não se abre à vida, então os entusiasmos não serão mais que isso...
Ter esperança é saber que o Vento se faz brisa junto de nós... que tudo é bagagem útil para o caminho...
Ter esperança é saber que desde que haja Vento,então no fundo, tá muita bom... por muito que possa doer...
Ter esperança é escutar o Vento e amadurecer com ele...
Ter esperança é ter coragem de sonhar, comprometido com a vida...

A vida não é uma colecção de cicatrizes... em que quantas mais tivermos, mais maduros somos. Podemos ter mais experiência, envelhecer... mas nem por isso amadurecemos. Fechar o coração para reduzir as perdas, é medo e resignação...
Amadurecer, ser mais pleno do que antes, é navegar as borrascas e as bonanças com velas de esperança, porque o Vento é sinal de algo mais que nos espera e quer abraçar...

Zarpei há pouco tempo. Sou, tantas vezes, dolorosamente incompleto. Mas isto é o que tenho vindo a sentir e a ver confirmado, aos poucos, na minha vida. É o que oiço nos momentos de paz consolada...

E assim, acho eu, vamos conseguindo subir degrau a degrau, sem precisar de ver a escada toda. Isso é bom... porque ninguém vê a escada toda...
Vamos ficando magnânimos em vez de distantes. E os altos e baixos vão sendo mais harmonizáveis e integrados...

25 março 2008

tragam-me os gritos de amargura
e as tormentas tempestades
e os golpes escondidos
e a crónica saudade

dêem-me as sobras dos vadios
e o vinagre mais amargo
e o desprezo empedernido
e a alma estilhaçada

pode vir tudo
eu não vou fugir de nada!

façam-me preso sem destino
e do amor desencontrado
levem tudo o que dá cor
e deixem o pesado

que venha a ferida escura e funda
e o choro desvalido
e o dia negro do difuso
e a meia-vida estagnada

pode vir tudo
eu não morro nem por nada!
são apertos que chegam sem convite
e trazem as cores de quadros incompletos
em que o todo existe um tom abaixo
são vazios de tristezas tão repletos

esquiços imprecisos de planos pouco claros
das partituras que se tocam cá por dentro
que a sons cortados na raíz se aparentam
são moribundos rasgados aos bocados

são feridas do sonho que foi tudo
e por ser orfão já não é coisa nenhuma
são pálidos os sons do triste luto
que à estrada te devolvem resoluto!