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13 maio 2015

Dia de renovar votos de 2011.


Este blogue NÃO respeita o novo acordo ortográfico
e espera poder continuar a dar erros durante muito mais tempo.
Há certas enfermidades das quais se padece com singular alegria.

28 novembro 2012

Protecção de quem?


por Vasco Graça Moura
DN, 28 Novembro, 2012

Toda a gente viu, nos serviços noticiosos de televisão, a horda ululante e desvairada que ao fim da tarde de 14 de Novembro atacou as forças da polícia em frente a São Bento.
A arruaça promovida por essa associação de malfeitores ao longo de mais de uma hora, insultando e agredindo as forças da ordem, praticando danos avultados em bens públicos, causando um tumulto inaceitável e agindo com violência incendiária e criminosa só impunha um tipo de actuação por parte da polícia: varrer aquela canalha selvática desde a primeira agressão e sem quaisquer contemplações.
A PSP optou por esperar pacientemente, talvez tempo demais, sujeitando-se a toda a espécie de vexames até lhe ser mandado que impusesse o respeito da ordem pública. E então agiu e agiu bem, embora pudesse ter agido muito melhor se tivesse ali por perto um carro da água para limpar à mangueirada, depressa e eficazmente, a escadaria do Parlamento e adjacências.
Em qualquer país civilizado, a reacção policial teria sido bem mais dura e expeditiva.
Tratou-se de uma perturbação intencional e muito violenta da ordem pública, da integridade e da segurança de pessoas e bens, levada a cabo no espaço público e à vista de toda a gente por um grupo de facínoras sem escrúpulos.
Essa perturbação foi filmada por operadores de televisão, sem nenhum condicionamento que não fosse a própria natureza tumultuária do que estava a acontecer. Isto é, não há aqui nenhuma espécie de segredo profissional nem parece que a cobertura pela imagem de um facto, criminoso ou não, ocorrido no espaço público, implique a protecção de qualquer espécie de sigilo profissional dos jornalistas intervenientes.
No caso, eles não precisaram de se documentar em fontes mais ou menos discretas. Os factos de agressão e distúrbio a que me refiro não são fontes a cuja protecção sigilosa os jornalistas tenham direito.
As fontes são as fontes. Os factos são os factos. O serviço público precisamente está em documentá-los e, tratando-se de crimes, em ser dada a necessária colaboração por quem dispõe desses documentos às autoridades públicas competentes para identificação dos agressores.
Nem se vê que colha a distinção entre imagens editadas ou não editadas. Se não fosse assim, e quando, por hipótese, um determinado jornalista pretendesse favorecer um bando de criminosos, bastar-lhe-ia editar convenientemente as imagens, suprimindo delas tudo o que permitisse identificá-los e pretextar o sigilo profissional para se escusar a mostrá-las.
É pelo menos bizarro o entendimento da Comissão Nacional de Protecção de Dados, nos casos a que se refere o DN de 24 de Novembro (incidentes de rua a 21 e 29 de Setembro, o primeiro, aquando da reunião do Conselho de Estado, e o segundo, na manifestação da CGTP), refugiando-se em qualificações e objecções ociosas e especiosas que só podem redundar na protecção dos infractores e do crime.
Não é para isso, estou em crer, que a referida comissão existe.
Compreende-se que Miguel Macedo pretenda garantir o acesso da PSP a imagens não editadas, sem margem para quaisquer dúvidas jurídicas. Os formalismos, malabarismos e manobrismos proporcionados por um Direito inconsistente que foi sendo constituído em nome do politicamente correcto e de todas as escapatórias possíveis à assunção de quaisquer responsabilidades sérias levam o ministro da Administração Interna a sentir como necessária a emissão de parecer por parte do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República.
É todavia um excesso de escrúpulo da sua parte. O DN também noticia, a par da opinião que vai no sentido dessa legitimidade, uma outra, segundo a qual "tal procedimento poderá configurar violação do sigilo profissional dos jornalistas".
Naquele "poderá" é que está o centro de gravidade da argumentação capciosa, muito especialmente em se tratando de acesso a imagens colhidas no espaço público, e sem que houvesse ou haja qualquer fonte a proteger... Vive-se um tempo de crise da autoridade e de insegurança crescente.
Há muitos aspectos em que a Justiça em Portugal tem sido uma vergonha.
Bom seria que, pelo menos nalguns, como neste caso, deixasse de o ser rapidamente.

(Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)

09 novembro 2012

Isabel Jonet, as palavras e os atos. [o Expresso segue o acordo ortográfico].

por Henrique Monteiro

"A presidente do Banco Alimentar deu umas opiniões, anteontem à noite, na SIC Notícias. Ontem, durante todo o dia, foi simbolicamente queimada na fogueira das redes sociais; hoje segue o auto-de-fé em alguns jornais. Salvo algumas boas almas (de esquerda e de direita) que a tentaram compreender, o veredicto foi unânime: ela disse o que não se pode dizer.

Na sociedade atual, como no tempo da Inquisição, todos temos de andar com um credo na boca. Tal como o credo católico, também este se baseia em crenças e não em factos!

E o que disse Isabel Jonet? Enfim, disse o que pensa e isso hoje pode ser quase um crime.

Tanto bastou para os arautos do politicamente correto se porem em ação. Uns escreveram que não dão nem mais um quilo de arroz enquanto ela for presidente do Banco Alimentar; outros exigiram a sua demissão (da instituição privada que ela própria fundou); uma série deles acusou-a de insultar os pobres (embora os próprios não sejam pobres sabem quando os pobres se sentem insultados) e um movimento ameaça-a de não sei o quê.

A obra de Isabel Jonet fala por si. Mas há uma certa categoria de gente para quem o importante são palavras. Para quem os pobres não são pessoas reais, com qualidades e defeitos, mas categorias político-filosóficas abstratas. Claro que nenhum daqueles que critica violentamente Isabel Jonet terá feito um centésimo do que ela fez no combate à pobreza e à fome em concreto. Mas a pessoas assim não interessam obras nem atos concretos. Apenas ideias e palavras.

E vivem iludidos com palavras a vida toda."

06 fevereiro 2012

Disclaimer ou Ressalva

Os "posts" em inglês deste blogue, não tentam ser mais do que são: "posts" em inglês.
São escritos em inglês porque ao autor lhe apetece.
Não são tentativas de escrever na língua "que vende mais".
Este autor, aliás, é um irredutível português e amante da sua língua, ainda que pouco culto das artes e letras.
É por isso que este blogue não respeita o acordo ortográfico.


Este blogue, portanto, não quer ser os Silence Four da blogosfera nem o seu autor uma espécie de David Fonseca (embora até goste de algumas das músicas que ele faz).

12 janeiro 2011

A mulher que se casou com ela própria

José Tolentino Mendonça
DN Madeira 10.01.11


[este texto respeita o novo acordo ortográfico]

«Sabem de país mais desconhecido que um coração?». Foi o que me apeteceu perguntar estes dias ao assistir num dos telejornais a uma notícia bizarra, com a qual até os jornalistas que assinavam e apresentavam a peça gozavam. Uma mulher de Taiwan, secretária de profissão, aí entre os trinta e os quarenta anos, tinha protagonizado um casamento com ela própria: com direito a vestido branco, aliança, transporte em limousine, jantar para centenas de convidados e fogo de artifício. Não sei como é que tal possa ser, pois não imagino que exista em alguma parte um enquadramento jurídico para iniciativas do género. Penso que tudo se terá ficado por uma celebração simbólica em que aquela mulher, encenando um matrimónio, jurava fidelidade a si mesma.

Ao receber uma notícia destas podemo-nos rir, alarmar, enfurecer, encolher os ombros, interrogarmo-nos se tudo não passa de uma farsa desenhada para os tabloides e para a TV nas tréguas natalícias onde, ao que parece (sic), as notícias sérias não abundam, questionar a saúde psicológica daquela mulher e dos que a rodeiam, etc, etc. Mas, a existir um pingo de verdade nesta insólita história, somos remetidos para um nível mais profundo de compreensão: temos de tentar perceber, por de trás do ato, ainda que nos pareça destituído de qualquer racionalidade, o que conduz ou pode conduzir um Ser Humano a uma decisão destas. Sem querer ficcionar sobre uma história seguramente já saturada de ficção (e de óbvias, penosíssimas ilusões), há uma causa que ocorre imediata: uma grande, irresolúvel e mal vivida solidão.

A cultura contemporânea deixou de nos preparar para a solidão. Na maior parte das vezes é uma aprendizagem que temos de fazer em cima dos próprios acontecimentos, ou na sua dolorosa ressaca, e de forma muito desacompanhada. É como se a solidão fosse uma surpresa absolutamente improvável na nossa experiência humana e não, como ao contrário é, um modo de existência completamente comum. Há uma frase de Truman Capote, que há anos passei para um dos meus cadernos: «Todos estamos sozinhos, debaixo dos céus, com aquilo que amamos». Mas esquecemos isso. Esquecemos que todos os dias, mesmo numa vida afetivamente integrada e febrilmente ativa, a solidão nos visita. Somos sós connosco próprios e em companhia. Fomos sós em criança, fomos assim na transbordante juventude e nas décadas da vida adulta, e seremos assim na velhice. A amizade e o amor são formas de condividir, diminuir, dar serenidade ou potenciar criativamente a solidão, mas o assobio ininterrupto da solidão continuará a fazer-se ouvir no abraço redondo dos amantes ou na ronda magnífica dos amigos. Recordar-se disso é humanizar o nosso olhar e o nosso juízo sobre a realidade.

Também por este motivo, gostei muito de reencontrar no número de janeiro da revista "Ler" as palavras lúcidas da escritora brasileira Nélida Piñon, opondo o alicerçante desejo de recolhimento à atração atual por tudo o que é dispersivo: «a solidão buscada é o lugar onde melhor aprendi a encontrar-me».
Este blogue NÃO respeita o novo acordo ortográfico e espera poder continuar a dar erros durante muito mais tempo.

Há certas enfermidades das quais se padece com singular alegria...